Curitiba - As interdições em cinco áreas com soja transgênica no sudoeste do Paraná que serão lavradas esta semana pela Secretaria de Estado da Agricultura, devem parar na Justiça. Dos quatro produtores flagrados pela secretaria, três deles vão apresentar documentação que assinaram o termo de compromisso com o Ministério da Agricultura e garantem que não vão destruir suas lavouras. Os sindicatos rurais patronais da região prometem assessoria jurídica aos produtores.
Das cinco áreas com lavouras de soja transgênica comprovadas por testes feitos pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), quatro estão no município de Coronel Vivida e uma em Sulina. As lavouras com soja modificada geneticamente somam cerca de 50 hectares.
Em Coronel Vivida, as propriedades pertencem aos agricultores Adair Baú, Ari Comunello e Valdemir Baú, este último plantou soja transgênica em duas áreas distintas. O produtor Enio Pigosso plantou soja transgênica no município de Sulina. O núcleo da Secretaria da Agricultura na região recebeu 24 denúncias anônimas e dessas, seis áreas, que somam 52 hectares, foram confirmadas através de testes de laboratório.
Embora alguns desses produtores tenham assinado o termo de compromisso com o ministério, a secretaria vai conferir se as lavouras estão em desacordo com a Lei Federal dos Agrotóxicos, a 7.802, de 1989. No caso da soja transgênica, os produtores usam o glifosato herbicida para matar as ervas daninhas da área plantada. O herbicida mata todas as ervas daninhas, menos a planta geneticamente modificada. Com isso reduz-se os custos com a manutenção de um terreno limpo para a lavoura.
Ocorre que a aplicação do glifosato é proibida pela Lei dos Agrotóxicos na fase pós-emergente da planta depois de desenvolvida, em decorrência dos resíduos do herbicida. Caso os produtores transgridam a lei ele pode ser atuado em até R$ 19 mil e a lavoura pode ser destruída, explicou o engenheiro agrônomo da Secretaria da Agricultura de Pato Branco, Rudmar Pereira dos Santos.
No caso dos agricultores do sudoeste, os técnicos vão recolher amostras das lavouras para testes e se acusarem resíduos de glifosato, eles serão autuados e poderão ter a lavoura destruída, insistiu o técnico. ''Também serão denunciados ao Ministério Público (MP) que prevê sanções penais pelo uso do glifosato'', acrescentou. De acordo com Santos, o governo federal liberou o plantio de transgênico, mas se esqueceu de liberar o glifosato principal insumo da soja modificada geneticamente, que continua proibido no País.
Para o assessor da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque, o governo do Estado quer tumultuar a vida do agricultor com a complexidade da legislação. ''Quando o Congresso aprovou a lei que permite o plantio de organismos geneticamente modificados ficou implícito também que aprovou sua tecnologia que é o uso do glifosato.'' Aliás, é essa tecnologia que faz a diferença entre a soja transgênica e a convencional, explicou.

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