Os produtores de tomate de Marilândia do Sul já perderam cerca de 40% da produção devido à falta de compradores e os baixos preços pagos pelo produto. Segundo a engenheira agrônoma da prefeitura de Marilândia do Sul, Rosa Maria Miquelão, o excesso de ofertas fez com que o preço pago pela caixa de 23 quilos caísse dos R$ 7,00, praticados em novembro, para R$ 2,00, ontem. ‘‘Muitos produtores estão deixando o tomate no pé porque não compensa colher; outros já passaram o trator em cima das lavouras’’, afirma.
Rosa Maria diz que o município conta com 140 produtores, além dos porcenteiros, que cultivam 2,7 mil pés de tomate Santa Clara em 180 hectares. A produção estimada para a atual safra é de 486 mil caixas de 23 kg. Ela afirma que o custo de produção é de R$ 7,5 mil por hectare. Segundo Rosa Maria, a associação dos produtores de tomate está desativada.
A agrônoma diz que os produtores que destruíram suas lavouras já começaram a semear tomate novamente para tentar cobrir os prejuízos. ‘‘Agora eles estão plantando uma variedade mais tardia para colher em uma época com menor oferta e empatar o investimento da safra atual’’, diz.
O produtor Gelson Marchiori que cultiva nove alqueires com tomate diz que perdeu cerca de três mil caixas de tomate. Ele conta que destrui com trator 70 mil pés de tomates por não conseguir compradores do produto. ‘‘A oferta é muito grande agora, não estamos conseguindo vender nem por R$ 3,00/caixa’’, diz. A produção de Marilândia do Sul é vendida principalmente para o interior de São Paulo e capital paulista, Curitiba e interior do Paraná.
Ele explica que o prejuízo só não foi maior porque ele havia vendido mais da metade da produção ainda no começo de dezembro, com a caixa cotada a R$ 7,00. ‘‘Mas em épocas normais, a caixa chega a atingir R$ 15,00’’, afirma. Marchiori diz que ainda tem mais 100 mil pés que começam a ser colhidos em fevereiro e outros 100 mil pés para abril.
O prefeito de Marilândia do Sul, Ivan Carlos Beligni (PTB) disse há uma falta de planejamento por parte dos produtores que plantam em época que há grande volume de oferta. ‘‘O que está acontendo é explicado pela lei da oferta e procura’’, resume. Ele disse ontem que está tentando entrar em contato com o secretário de Agricultura do Estado para tentar solucionar o problema.

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