Depois de passarem longos períodos de preços ruins, produtores de suínos retomam o fôlego. Só no Paraná, de acordo com o recém-empossado presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Dias Lopes, nas últimas três semanas o valor por quilo do animal subiu R$ 0,30, e está sendo comercializado, em média, a R$ 2,10. Ele diz que ainda não deu para sair da crise mas o crescimento do mercado é favorável.
Segundo Lopes, os preços pagos aos produtores no Estado só foram superados pelos dos estados com produção independente como Minas Gerais e São Paulo, cuja média de preço girou em torno de R$ 2,65 e R$ 2,72 o quilo, respectivamente. ''O mercado está reagindo, mesmo com os preços dos insumos (milho e soja) em patamares ainda elevados. Não saímos da crise, mas a ligeira alta do volume das exportações brasileiras nas últimas semanas tem contribuído para o aumento dos preços do suíno no mercado'', assinala.
Camila Ortelan, pesquisadora do departamento de suínos e aves do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior Luiz de Queiroz (Cepea/Esalq/USP), acrescenta que o Paraná vem acompanhando o crescimento dos preços pagos aos produtores de todo o País. Segundo ela, entre os dias 30 de junho até 12 de julho, o preço do quilo do animal valorizou 7,6% no Estado. Ela explica que um dos motivos dessa alta, que também ocorreu em todo o Brasil, foi a baixa oferta de animais no mercado interno, acompanhada pelo aquecimento no consumo da carne suína no início desse inverno.
Camila completa que a elevação nos preços da carcaça possibilitou nesse início de mês um aumento no poder de compra do suinocultor frente à aquisição de insumos. Segundo ela, essa situação era bem diferente há algumas semanas, quando o criador estava pagando para produzir. Anésio Tribulato, produtor da região de Rolândia, que foi personagem da Folha Rural do dia 18 de junho, reportagem que mostrava a situação crítica do suinocultor naquele período, hoje respira aliviado: seu negócio voltou a dar lucro com o reaquecimento do mercado.
''Hoje consigo comercializar meu produto a R$ 2,70 o quilo, sendo que no final de junho, não conseguia mais do que R$ 2, a um custo de produção de R$ 2,50'', reforça. De acordo com Tribulato, em apenas 30 dias conseguiu sair do vermelho. Atualmente, a margem de lucro do produtor gira em torno de R$ 0,20 por quilo vendido. Tribulato envia toda semana cerca de 240 animais para abate e destaca que a recuperação dos preços do setor foi um alívio para a atividade. Ele espera que esses bons preços perdurem.
O presidente da ABCS avalia que a queda brusca nos preços registrada em maio e junho deste ano não tinha motivos. Segundo Lopes, a especulação de mercado, além da alta dos insumos, motivaram essa depreciação que atingiu criadores de todo o País, principalmente os médios e pequenos, como ocorreu com o produtor de Rolândia. Na sua opinião, a solução para manter os valores acima do custo de produção está no mercado interno e não nas exportações. ''O Brasil exporta somente 18% do total produzido. O restante é direcionado para o mercado interno'', explica.
Estímulo ao consumo
Para Lopes, estimular o consumo de carne suína é uma das soluções para aquecer o mercado nacional. ''Hoje, o Brasil consome 14,5 quilos por habitante. Na Áustria, esse número é de 79 kg/pessoa. Se cada brasileiro consumir um quilo a mais do que o atual, teríamos que ampliar em 100 mil o número de matrizes no País, o que ajudaria a fomentar ainda mais o setor produtivo'', explica. Porém, segundo o presidente da ABCS, outras medidas mais concretas já estão sendo tomadas para aquecer os preços e também a produção no mercado interno.
Uma delas, segundo Lopes, seria a criação de um preço mínimo para a suinocultura. O assunto já foi discutido entre representantes do setor produtivo e as sugestões foram encaminhadas para a avaliação do congresso nacional. No segundo semestre deste ano, conforme Lopes, a proposta deverá ser analisada pelos parlamentares ligados ao agronegócio. Além disso, o presidente da ABCS explica que o setor produtivo batalha também pela proposta do governo de vender insumos em balcão ao criador de suínos.

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