Produtores de suínos vão reduzir rebanhos em 8,5%
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quarta-feira, 07 de agosto de 2002
Gilmar Agassi<br>Equipe da Folha 
Cascavel - A Associação Paranaense de Suinocultores (APS) defende a redução imediata de 8,5% do rebanho de suínos no Estado, como única alternativa para minimizar a crise e viabilizar a criação de porcos a médio e longo prazos. Produtores avaliam que os problemas enfrentados pelo setor não serão revertida a curto prazo. Eles dizem que já começam a sofrer com os prejuízos, assim como a indústria do setor.
Em reunião com a direção da APS, representantes das indústrias relataram que os abatedouros e frigoríficos de suínos estão perdendo R$ 35,00 por animal adulto abatido, e R$ 18,00 por leitão de 22 quilos. No entanto, os prejuízos dos produtores são ainda maiores. Conforme cálculos da APS, o custo de produção de um quilo de suíno vivo, tipo carne, custa R$ 1,35. Na hora de comercializar, os produtores recebem apenas R$ 1,16 pelo quilo do suíno.
Segundo Romeu Royer, presidente da APS, apenas para cobrir os custos de produção os criadores deveriam estar recebendo R$ 1,40 pelo kg do suíno vivo. Ele acresenta que outra preocupação é em relação à redução do plantio de milho na próxima safra de verão. ''Se a produção cair, teremos de importar milho da Argentina ao preço de R$ 18,00 a saca, ou dos Estados Unidos a R$ 23,00 a saca, correndo o risco de adquirir produto transgênico'', ressalta.
Royer cita duas alternativas para melhorar o preço do suíno. Aumentar o consumo interno e as exportações, ou reduzir a oferta de animais. Ele frisa que não é possível esperar pelo aumento do consumo interno, pois as turbulências na economia tiram o poder aquisitivo e o ânimo da população. ''A solução ao alcance do produtor é reduzir os plantéis, de 8% a 8,5%, no menor prazo possível'', diz.
O presidente da APS informa que somente da Região Sul há mais de 200 mil suínos adultos estocados nas propriedades, já com 125 kg de peso, esperando pelo abate. Na Região Sul, no primeiro semestre de 2002 houve aumento de 16,7% no rebanho e de 23% na oferta de carne suína, comparando-se ao mesmo período de 2001. ''A redução dos plantéis, mesmo como medida imediata, só dará resultado dentro de três a seis meses'', conclui.


