Produtores de suínos criticam o governo e os atravessadores
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quinta-feira, 20 de junho de 2002
Gilmar Agassi<BR>Equipe da Folha 
Marechal Cândido Rondon A crise na suinocultura levou centenas de produtores a participarem ontem, em Marechal Cândido Rondon (90 Km a oeste de Cascavel), do Dia de Protesto do Suinocultor do Oeste. A mobilização contou com a presença de lideranças do setor, políticos e membros da CPI dos Alimentos, da Assembléia Legislativa, que investiga os problemas da suinocultura paranaense.
Durante a manifestação, os produtores tiveram a oportunidade de repassar aos membros da CPI as principais necessidades e apresentar sugestões para diminuir as dificuldades atuais. Segundo dados da Associação Paranaense dos Suinocultores (APS), o Estado possui 21 mil produtores tecnificados, com um plantel de 4,6 milhões de cabeças de suínos. O Paraná é considerado o segundo maior produtor do País, perdendo apenas para Santa Catarina.
Depois de se reunirem com os parlamentares, os produtores saíram em carreata pelo área central de Marechal Cândido Rondon, onde distribuíram lanches recheados com carne suína. Em seguida, foram até o trevo de entrada do município e fecharam a rodovia para mostrar à população a situação caótica do setor. O protesto durou cerca de uma hora e não foram registrados incidentes.
O presidente da APS, Romeu Carlos Royer, disse que há produtores perdendo até R$ 30,00 em cada suíno vivo de até 100 quilos comercializado para o abate. Ele completa que o custo de produção do animal vivo, tipo carne, varia de R$ 1,25 a R$ 1,35 o quilo. Enquanto isso, os produtores estão recebendo somente R$ 1,10 por quilo.
Royer acrescentou que o produtor deveria receber, ao menos, R$ 1,40/quilo do suíno, para deixar de pagar para produzir. Ele disse que pelo menos 500 produtores em todo Paraná já abandonaram a suinocultura, por causa dos baixos preços praticados no mercado desde março. Ele frisou que os produtores precisam de apoio do governo, das indústrias e do comércio de carne para se manter na atividade.
Entre as propostas apresentadas pela APS durante o protesto, está a adoção de uma política federal eficiente de médio e longo prazos, que inclua a formação de estoques reguladores de carne e o abastecimento de milho, a preços razoáveis para o agricultor e o suinocultor. Os produtores pedem também que o governo federal deixe de disponibilizar recursos para megaprojetos no setor, que acabam destruindo os pequenos produtores.
O presidente da APS afirmou que é importante que as agroindústrias evitem o aumento de plantel de seus integrados enquanto não houver uma previsão de demanda no mercado. Ao governo estadual, os produtores reivindicam a revisão da lei do ICMS que trata da reposição do crédito devido aos criadores, além de investimentos para armazenagem e ampliação de programas de assistência técnica e sanitária.
O presidente da Associação dos Suinocultores do Norte do Paraná, José Luiz da Silva, acusou os atravessadores de serem os grandes vilões dessa história. Segundo ele, as pessoas que compram os suínos dos produtores e os repassam às indústrias são os únicos beneficiados atualmente.


