Produtores de ovos estão ''em pânico' com a falta de milho
Vânia Casado
De Curitiba
A informação divulgada ontem por esta Folha de que o governo não tem mais estoques de milho na região Centro-Oeste para remover ao Paraná deixou os criadores de aves poedeiras do Norte do estado em pânico. Os criadores já falam em redução de 30% na produção de ovos, que corresponde a um descarte de 2 milhões de aves poedeiras, informou o consultor de mercado João Carlos Danieli, de Nova Esperança.
O plantel de aves poedeiras no estado é de 6,5 milhões de aves que produzem 5,2 milhões de ovos por dia.
Para Danieli o criador já está pagando entre R$ 14,00 a R$ 14,50 a saca de milho colocada na granja, com frete incluído, e mesmo assim está difícil de comprar o produto. Uma grande cooperativa da região que vendia o milho a R$ 13,20 a saca suspendeu as vendas, informou. Com o milho cotado a R$ 14,00 o custo de produção de uma caixa de ovos com 30 dúzias vai para R$ 19,50, examente o valor que o produto está sendo vendido ao atacadista. Ou seja, o produtor não está ganhando nada. Se aumentar o preço do milho, começa a ter prejuízo.
A preocupação é com o desemprego que a redução do plantel poderá causar na região, lembrou Danielle. Segundo ele, cada família toca a criação de 15 mil a 20 mil aves. O consultor lembrou que o criador está entrando numa fase bastante dramática. De um lado precisa de capital para pagar o 13º da mão-de-obra empregada. De outro, vai entrar num período bastante difícil porque a comercialização de ovos pára a partir do dia 20 de dezembro. Isso porque os atacadistas já estão superabastecidos e desovam os estoques, guardados em câmaras frias aos poucos no período de janeiro e fevereiro.
Para conseguir vender, o criador tem que abaixar bem o preço do ovo, ressaltou Danieli. Ele lembrou que no final do ano passado uma caixa com 30 dúzias de ovos era vendida por R$ 9,00 aos atacadistas. Esse ano, ele prevê que o produto deve ser vendido a R$ 12,00 a caixa. Os criadores não têm estrutura para guardar o ovo e não podem guardar o produto por mais de 15 dias, período de validade admitido pelo Ministério da Agricultura.
Criador vai pagar mais pelo milho
O criador já está pagando mais pelo milho e a tendência é que a cotação do produto fique próxima à paridade internacional, no decorrer do ano 2.000. O motivo da elevação de preço é o fim dos estoques reguladores do governo, que desde a safra 95/96 vinham sendo utilizados para ajudar a manter os preços do milho no mercado interno, abaixo da paridade com o mercado externo, disse Vilmondes Olegário da Silva, diretor de abastecimento do Ministério da Agricultura.
Vilmondes anunciou, em Curitiba, que o governo pretende fazer um estoque regulador de 1,5 a 2 milhões de toneladas de milho, a partir da entrada da próxima safra, apenas para formar estoques de segurança para atender o pequeno criador. Sinalizou ao mercado que o governo não tem mais a intenção de fazer grandes estoques regulares como na safra 95/96 quando chegou a manter 9 milhões de toneladas em poder da Conab.
Também descartou a possibilidade de o governo fazer importações de milho no ano que vem para completar o abastecimento. Segundo Olegário, para a travessia da safra 98/99 até a entrada da próxima safra, as empresas estão importando 1,4 milhão de toneladas e para o ano que vem, deverão importar 1,8 milhão de toneladas. A única ajuda do governo é a flexibilização das regras de importação como prazo e juros reduzidos, acrescentou.





