Curitiba - Um projeto envolvendo 14 empresas paranaenses de agricultores familiares ligados à produção orgânica e industrialização de produtos recebeu ontem o repasse de R$ 1,8 milhão. Os recursos fazem parte do Programa Brasil Orgânico e estão sendo distribuídos pela Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). A intenção é incentivar o Paraná, que é atualmente o maior produtor de orgânicos do Brasil, a desenvolver ações de promoção comercial com o foco voltado em países consumidores como Alemanha, Inglaterra, Itália, França, Suíça, Canadá, Estados Unidos e Japão. ''O Paraná é o estado âncora deste nosso projeto e o governo federal é o grande incentivador. O projeto é nacional e, em pouco tempo, queremos estar exportando muito mais do que estamos atualmente'', apostou Juan Quirós, presidente da Apex-Brasil.
Anualmente, o setor está crescendo entre 30% e 50%. De acordo com Quirós, o rendimento médio de quem opta por este tipo de cultivo é 25% maior do que no caso de produtos convencionais. Entre os principais produtos orgânicos produzidos no Paraná estão a cana, a cachaça, o açúcar mascavo, a soja, frutas, hortaliças, mandioca, milho, arroz, café, erva mate, feijão, granolas, geléias, sucos e óleos. Uma das empresas fará o lançamento mundial de tilápia orgânica, produto produzido exclusivamente no Paraná. ''Temos uma grande concorrência internacional na produção de orgânicos. São 120 países que estão apostando nos orgânicos. Mas o Brasil ganha pela diversidade de seus produtos'', salientou Quirós.
Até o final do projeto que conta com o apoio do Instituto Paraná de Desenvolvimento (IPD) e do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) deverão ser incluídas 38 empresas brasileiras. Hoje, existem no Brasil cerca de 30 tipos de produtos orgânicos (incluindo coco e camarão) que estão sendo cultivados em 300 mil hectares de terras. Cerca de 85% dos produtos nacionais produzidos são exportados, gerando uma renda de US$ 5,22 milhões. ''E vamos melhorar muito estes dados quando começarmos a exportar também os produtos acabados, industrializados. Para isso, estamos buscando parceiros internacionais que queiram investir no Brasil'', complementou ele.
Empresários da Tailândia estão há três semanas no Brasil com o interesse de industrializar o camarão orgânico. Existe a perspectiva de que a sede da indústria seja no Nordeste ou em Santa Catarina. Com o projeto, que envolverá um selo de qualidade que está sendo chamado de Organic Brazil, mais de 7 mil famílias brasileiras estão sendo beneficiadas por produzirem produtos orgânicos. O presidente do Sistema Fiep, Rodrigo Rocha Loures, quer que o projeto unifique as associações de produtores orgânicos espalhadas por todo o Brasil, para que possa ser pensada uma estratégia única de atração do mercado externo. ''Vamos trabalhar para não sermos somente um importante fornecedor, mas um País de referência internacional que busca qualidade de produtos, desenvolvimento e, o mais importante, qualidade de vida'', afirmou.

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