Produtores de mandioca do Noroeste pedem melhores preços
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quinta-feira, 26 de março de 2015
Ricardo Maia<br> Reportagem Local 
O preço da tonelada da mandioca abaixo do custo de produção tem gerado um clima de insatisfação e revolta entre os produtores de mandioca da região Noroeste do Estado. Para reivindicar um valor mais justo de remuneração, agricultores do maior polo de produção do Paraná deixaram de entregar desde a semana passada a raiz para as indústrias, em protesto ao prejuízo que eles têm contabilizado na hora de comercializar o produto. O valor da tonelada da mandioca tem girado em torno de
R$ 180, mas o custo de produção está em R$ 220 a tonelada, segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam). Cerca de 95% das indústrias paranaenses estão paralisadas.
Gabriel Back, chefe do núcleo regional da Secretaria de Agricultura de Paranavaí, afirma que caminhões carregados com mandioca estão sendo impedidos pelos manifestantes de chegarem até as fecularias localizadas na região. Ainda, Paranavaí, Guaíra, Querência do Norte, Assis Chateaubriand, Palotina, entre outros municípios pararam de colher a raiz.
Francisco Androvicis Abrunhoza, produtor e presidente da Associação dos Produtores de Mandioca do Paraná, explica que a paralisação foi decidida no final da semana passada pelos próprios agricultores em Paranavaí. Eles reivindicam que o valor pago pela tonelada varie de R$ 270 a R$ 300. Hoje, eles recebem entre R$ 140 e R$ 150 por tonelada de mandioca. "Se não atenderem as nossas exigências, não haverá matéria-prima", protesta o presidente.
Abrunhoza salienta que há produtores que estão registrando prejuízos de até R$ 5 mil por alqueire. "Em 2017 não vai mais haver mandioca no Paraná se essa situação continuar", reforça.
João Eduardo Pasquini, presidente da Abam, encaminhou recentemente um pedido ao Ministério da Agricultura solicitando a alta do preço mínimo da raiz, que hoje está fixado em R$ 178 a tonelada, além do maior apoio à exportação, ação que ajudaria a escoar o excesso de produção que derrubou os preços da mandioca. "Em recente reunião com a ministra da agricultura Kátia Abreu, ela sinalizou que a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) reavaliaria o preço mínimo da raiz", aponta o dirigente.
Pasquini destaca que a solução para esta crise está no escoamento da produção para o exterior, já que o mercado interno está abastecido. Ele reconhece que a greve dos produtores não é a ação mais inteligente porque com a paralisação da produção, as farinheiras não terão produtos para atender o mercado interno, nem o externo a longo prazo.
O presidente da Abam conta que em 2013 muitos agricultores que atuavam em outros segmentos resolveram investir na atividade devido à forte queda na produção da raiz nas regiões Norte e Nordeste do País, motivada pela forte estiagem que atingiu o maior polo de produção do Brasil. Com a baixa oferta, o valor da tonelada da raiz chegou a atingir R$ 700. "Esse valor atraiu muitos produtores que resolveram investir na atividade aqui no Paraná. Na época, eles ganharam muito dinheiro", lembra.
Hoje o cenário é completamente diferente daquele ano. "Os produtores acharam nesta safra que conseguiriam vender toda a produção", lamenta Pasquini. Mas eles não contavam que o Nordeste voltaria a produzir uma alta quantidade de raiz no ano seguinte. Com isso, o Estado perdeu mercado com o produto nordestino. Só neste ano, o Paraná deve produzir quatro milhões de toneladas em uma área de 175 mil hectares. No ano passado foram produzidas 3,8 milhões de toneladas em 165 mil hectares. O Paraná é o segundo maior produtor de fécula do País, atrás do Pará, com 7,8 milhões de toneladas na safra 2013/14. O Estado tem hoje em torno de 37 mil produtores de mandioca.


