Os produtores de leite do Assentamento São Francisco de Assis, em Cascavel, decidiram apreender ontem um caminhão da empresa laticínia Líder, que estava no local para recolher o produto. Eles decidiram segurar o caminhão e o motorista em decorrência de uma dívida de R$ 300 mil, referentes a cerca de 100 mil litros de leite entregues no mês de julho ao laticínio e que não foram pagos.

A coordenadora da Comissão dos Reassentados Atingidos pela Barragem do Rio Iguaçu (Crabi), Margaret Maran, explica que em abril deste ano, alguns diretores do laticínio estiveram no assentamento para negociar com os produtores a entrega do leite. Nos dois primeiros meses não houve problema, mas em junho ao invés do dinheiro, os produtores receberam uma carta em que os proprietários da empresa pediam um prazo para pagar a dívida.

Os produtores decidiram aguardar por mais 30 dias, mas como o pagamento não foi efetuado no mês de julho, eles pararam de entregar o leite a este laticínio. Margaret completa que na última semana, outra pessoa se identificando como diretor da Líder esteve no Assentamento para negociar a dívida com os produtores, com a prerrogativa de que eles voltassem a entregar o leite mediante o acerto.

A coordenadora ressalta que muitos desses produtores dependem exclusivamente da renda obtida com o leite para manterem suas famílias. É o caso de Ilídio Meurer que calcula em cerca de R$ 800 mil a dívida pendente com o laticínio. Ele diz que não quer saber de negociar. ''Não adianta virem com conversa. Quero saber do meu dinheiro'', reclama.

O diretor do laticínio Líder, Valdir Antônio Ceresa, garante que está havendo ''um grande equívoco'' por parte dos produtores. Ele diz que um outro laticínio, o São Lucas, de Céu Azul, é que está devendo para os criadores de gado leiteiro. Segundo Valdir, esse laticínio que encerrou suas atividades em julho pertence a um funcionário da Líder conhecido como James. ''Começamos a pegar o leite deles há pouco tempo, exatamente após o fechamento do São Lucas'', acrescenta.

Depois de se reunir por mais de uma hora com os produtores, Ceresa ficou de retornar à sede de sua empresa para buscar documentos e comprovar que está havendo um engano. Como ele não voltou ao Assentamento até o final da tarde, os produtores decidiram guardar o caminhão no barracão e prometem liberar somente após negociarem a dívida.

O funcionário chamado James, que seria o proprietário do laticínio São Lucas, foi procurado, mas uma secretária da Líder informou que ele havia saído e não deveria retornar até o final do dia.

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