ArquivoPreço do leite não sobe desde 1994, denunciam produtores dos três Estados do SulOs produtores de leite dos três Estados do Sul estão reivindicando o pagamento do preço mínimo de R$ 0,22 o litro de leite e a elevação das alíquotas de importação de produtos lácteos do Mercosul para evitar a operação de triangulação do leite importado da Europa que é vendido ao Brasil como leite argentino. O assunto vai ser discutido no próximo dia 1º com o ministro da Agricultura Arlindo Porto e técnicos dos Ministérios da Fazenda e do Planejamento que vão receber as lideranças dos pequenos produtores em Brasília.
Esse é o resultado da manifestação de pequenos produtores ocorrida ontem em Chapecó (SC), onde cerca de 1,5 mil produtores organizados pela CUT derramaram cerca de cem litros de leite em praça pública para chamar a atenção do governo para o problema. A manifestação ocorreu em Chapecó por ocasião da reunião dos membros do subgrupo 8 do Mercosul que discute o setor agropecuário. Os produtores denunciaram a queda no preço do leite pago pelas indústrias e cooperativas depois que começaram as operações de triangulação.
Segundo Marcos Rochinski, membro da CUT/PR, o preço do produto no Paraná caiu em média para R$ 0,17 a R$ 0,18 o litro para o volume de leite enquadrado nas cotas das empresas e R$ 0,12 para o extra-cota (excedente de produção). Rochinski denunciou que o preço do leite pago ao produtor está estabilizado entre R$ 0,22 e R$ 0,25 o litro desde julho de 1994, quando foi implantado o plano de estabilização econômica. Enquanto isso, o consumidor que pagava R$ 0,47 o litro naquela época, está pagando hoje em torno de R$ 0,60 o litro do leite tipo C.
Rochinski argumentou que a atividade leiteira é basicamente exercida pela agricultura familiar e por isso a queda de rentabilidade do setor vem sendo motivo de preocupação da CUT. No Paraná, a atividade é controlada por 40 mil pequenos produtores que esse ano vão produzir cerca de 850 milhões de litros. Segundo levantamento da CUT, as propriedades até 50 hectares respondem por 75% da produção leiteira do Estado. As propriedades entre 50 ha e cem ha produzem 8,6%, as propriedades entre cem ha e 500 ha, 7%; e as propriedades com mais de 500 ha produzem 1,3% da produção estadual. Com esse levantamento a CUT constatou ainda que cerca de 71% da atividade leiteira é praticada por mulheres de agricultores e 62% por filhas de agricultores.
Além do preço mínimo e da elevação da alíquota de importação, os agricultores familiares pedem uma linha de crédito subsidiado e de investimento para o setor de leite da agricultura familiar. Rochinski destaca que o setor vai reivindicar uma política agrícola diferenciada para os agricultores familiares dos países do Mercosul.

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