Curitiba O secretário estadual de Agricultura e vice-governador, Orlando Pessuti, irá se reunir na segunda-feira com representantes dos produtores de leite do Paraná para tentar chegar a um acordo sobre a política tributária do governo para a comercialização dos laticínios. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Latícinios e Derivados (Sindileite), Wilson Thiesen, os produtores de leite longa-vida do Estado estão encontrando dificuldades para vender o produto dentro do próprio Estado, e a participação do Paraná no mercado brasileiro também está ameaçada de cair nos próximos meses.
A maior dificuldade dos produtores de leite longa-vida no Estado está sendo concorrer com os benefícios fiscais concedidos pelos governos de Minas Gerais e Rio Grande do Sul aos produtores que comercializam o produto. Dos 12% de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) recolhidos junto ao produtor na venda do leite para outros estados, 11% são devolvidos pelos governo para subsidiar a comercialização. ''Com esse dinheiro os produtores conseguem financiar a parte de frete e operacionalização para a venda para outros estados, fazendo com que o produto chegue até o Paraná com preços melhores do que o que os produtores daqui'', afirma Thiesen.
No Paraná, o desconto no ICMS para operações interestaduais é de apenas 7%. Além disso, os produtores não têm isenção de ICMS para venderem seus produtos dentro do Estado, ao contrário de Minas e Rio Grande do Sul, onde os produtores estão isentos da cobrança do imposto. ''Além de não conseguirmos entrar nestes estados, os produtores gaúchos e mineiros estão conquistando mercado em São Paulo e no Rio de Janeiro, para onde seguem 70% do leite longa-vida produzido no Paraná'', salientou Thiesen.
O governo ainda analisa o que pode ser feito para facilitar a comercialização do leite paranaense. O prazo para conceder isenções no ICMS encerrou-se no dia 30 de setembro, o que significa que o governo estadual terá que procurar outra maneira de subsidiar a produção se essa for sua intenção. A reportagem da Folha tentou contato com Pessuti e com o secretário de Estado da Fazenda, Heron Arzua, mas não teve suas ligações retornadas.
Muitas redes de supermercados paranaenses já estão dando preferência para o leite ''importado''. A maior preocupação do Sindileite é que a diminuição nas vendas internas leve parte dos cerca de 50 mil produtores paranaenses a abandonar suas atividades. ''A estratégia dos mercados é perigosa. No norte do Estado, uma parte significativa da economia funciona devido à atividade leiteira. Se eles fecharem as portas, os próprios mercados vão sentir sua clientela diminuir'', analisa Thiesen.

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