Produtores de fumo serão atendidos pelo Pronaf
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sexta-feira, 27 de maio de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba O Conselho Monetário Nacional aprovou o restabelecimento das linhas de crédito para investimentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para os produtores de fumo. Com isso, os fumicultores ganham fôlego para encontrar alternativas mais rentáveis de produção, disse ontem o inspetor da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Silvino Mueller.
A liberação do crédito ocorreu por insistência do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que se comprometeu com um programa de reconversão do tabaco, diante do crescimento das restrições ao fumo em todo o mundo. A medida visa incentivar a diversificação da produção.
No Paraná são cerca de 35 mil pequenos produtores de fumo que poderão ser beneficiados. Eles se concentram no Sul do Estado, por falta de alternativas rentáveis na região. Segundo Mueller, o fumicultor planta em média, 2,5 hectares com fumo e obtém um rendimento líquido de R$ 8 mil a R$ 10 mil por ano. ''Nem plantando 10 hectares de milho, o produtor consegue essa receita'', comparou.
Para Mueller, o mercado instável do feijão e milho impedem o agricultor de deixar o fumo. ''Se eles não plantarem o fumo, 70% dos produtores no Sul serão favelados nas cidades'', avisou. Para o fumicultor, à medida que o produtor investe em equpamentos, ele vai encontrando brechas para uma atividade mais rentável.
Os produtores poderão obter crédito desde que fique comprovado que uma parte da renda provenha de outra cultura. ''Nosso objetivo agora é mostrar que existem outras alternativas nos sistemas de produção que podem dar o mesmo rendimento que o fumo'', disse o secretário da Agricultura Familiar do MDA, Valter Bianchini.
Segundo Bianchini, o Brasil está seguindo uma orientação da convenção Quadro para o Controle do Tabaco, onde há uma recomendação para que se adote uma estratégia de assistência técnica e extensão rural e financeira para auxiliar na transição econômica dos produtores e trabalhadores que vivem do tabaco.
Como exemplo, o secretário cita a compra de um trator, que tanto pode ser usado para o fumo mas também para outras culturas. ''O trator ara a terra para o fumo mas também pode arar para o milho. Só que no projeto técnico o agricultor vai ter que comprovar que uma parte da renda virá da nova atividade financiada'', destacou. Haverá um trabalho de assistência técnica, indicando quais alternativas podem ser incentivadas para a diversificação da produção, como agricultura orgânica,leite, fruticultura, olericultura, que também podem ser rentáveis.
''Seria mentira dizer que vamos acabar com o fumo em um curto espaço de tempo. A intenção não é essa, mas preparar os agricultores para algo que com o tempo deve ser uma necessidade'', sugeriu Bianchini. Outro fator que preocupa é a insalubridade da cultura por causa da forte utilização de agrotóxicos, disse o secretário.


