Produtores de fumo são orientados a segurar estoque
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sábado, 24 de janeiro de 2004
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os produtores de fumo da região sul do País não devem vender sua produção às empresas fumageiras até que haja um reajuste no preço do produto. Essa foi a orientação dada aos agricultores ontem pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul) e por representantes de 30 sindicatos filiados à federação dos três estados do sul, em reunião em Curitiba. A empresas de fumo deram reajuste de 17,6% aos produtores na compra da safra 2003/2004. Contudo, os agricultores alegam que só o custo da produção aumentou em 53,3% em relação à safra passada.
O argumento dos produtores de fumo é que a indústria estaria usando o fato de a safra 2003/2004 ser 200 mil toneladas maior que a de 2002/2003 para baixar o preço pago pela produção. Este ano, estima-se que a colheita de fumo chegue a cerca de 850 mil toneladas no País. O Brasil é o segundo maior produtor e o maior exportador de fumo do mundo. O secretário de formação da Fetraf-Sul e presidente do Departamento de Estudos Sócio-econômicos Rurais (Deser), órgão ligado aos sindicatos da categoria, Marcos Rochinski, afirmou ''que o reajuste dado pelas empresas de tabaco deveria estar no mínimo no mesmo patamar que o aumento da produção (53,3%)''.
Além da orientação aos produtores, de não vender seus estoques até que haja acordo, ficou decidido na reunião que os sindicatos municipais vão fazer assembléias a partir de fevereiro em todas as cidades onde há plantação de fumo para conscientizar os produtores do problema e juntá-los ao ''boicote'' às indústras. ''Vamos entrar em contato com o sindicato das empresas para negociar também'', afirmou Rochinski.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Fumo da região Sul (Sindifumos), Claudio Henn, discorda dos cálculos dos agricultores e lembra que o reajuste real foi de 23,3%, porém em um documento assinado por ambas as partes ficou decidido que este ano seria descontado os 6% de frustração de safra (quando ocorre algum problema na plantação de origem climática ou pragas). Quanto ao argumento do aumento da safra ser motivo de baixa do preço, Henn justifica que ano passado a oferta foi pequena em comparação com a grande demanda e por isso os produtores compraram tudo. Porém, este ano, com a maior oferta, os critérios de qualidade estão sendo rígidos.


