São Paulo,SP - Depois de 32 anos, as mangas brasileiras furaram o bloqueio comercial japonês e começaram a desembarcar em Tóquio na semana passada. Empresas como a Nova Fronteira, em Curaçá (BA), passaram dias embalando milhares de mangas. Sob a vigilância de rígidos inspetores japoneses, elas usaram procedimentos especiais para se livrar das larvas de moscas de manga, que impediam a exportação da fruta para o Japão. Depois, despacharam caminhões refrigerados com milhares de mangas rumo ao Aeroporto de Viracopos, em Campinas. De lá, as frutas seguem de avião até Tóquio. ''O nível de exigência é enorme, mas vale a pena'', diz Alexandre Campelo, gerente comercial da Nova Fronteira. Uma manga chega a ser vendida por US$ 20 (quase R$ 60) em supermercados de Tóquio.
O embarque das mangas para o Japão traz novas esperanças para os exportadores de frutas. O ano de 2004 foi muito duro. A exportação de mamão, manga, uva e melão teve uma queda considerável por causa do excesso de chuvas e pragas. No total, a exportação de frutas frescas foi de 810 mil toneladas (US$ 335 milhões). Foi um aumento de apenas 10%, abaixo dos 20% que vinha crescendo todos os anos desde 1998. Mas, neste ano, acordos sanitários para abrir novos mercados, como o Japão, e a venda de variedades não tradicionais, como uvas sem sementes e abacaxi pérola, deixam os exportadores otimistas.
Segundo o Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), a exportação deve voltar a crescer 20%. ''A conquista do Japão pode nos ajudar a abrir outros mercados'', diz Maurício de Sá Ferreira, gerente da Central de Serviços do Exportador do Ibraf. O Brasil ainda é um anão perto de exportadores como China, Espanha, México e Chile. O País é o terceiro maior produtor de frutas do mundo, mas está em 20º lugar entre os exportadores.

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