Produtores de Frango pedem regulamentações sanitárias
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terça-feira, 15 de abril de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba As indústrias de abate de aves do Paraná estão reivindicando uma regulamentação oficial na área de sanidade, com o estabelecimento de um zoneamento avícola. O presidente do Sindicato dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, quer que o Paraná, que já conquistou a condição de maior exportador de frango do País, se notabilize também como o primeiro a adotar medidas na área fitossanitária. O objetivo é evitar que ameaças de ordem sanitária possam prejudicar as exportações paranaenses.
Martins esteve em Curitiba ontem, quando apresentou a proposta do zoneamento avícola ao secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Orlando Pessuti. O Sindiavipar pediu ainda uma regulamentação para a comercialização dos dejetos das granjas. ''Pode parecer incoerência de nossa parte'', admite. ''Mas se os países da Comunidade Européia souberem que estamos adotando medidas na área fitossanitária, eles não terão muitos motivos para estabelecer barreiras na área de sanidade, que prejudicam as exportações brasileiras'', justificou.
Na regulamentação da comercialização e aplicação dos dejetos existem especificidades técnicas que devem ser seguidas. Entre elas, a aplicação dos dejetos nas lavouras como adubo orgânico, que só pode ser feita em dia de chuva para facilitar a incorporação no solo. Se for feita a aplicação em dia de sol e em seguida passar a máquina, o vento pode espalhar as toxinas, contaminando animais de propriedades vizinhas.
O zoneamento avícola implica no estabelecimento de áreas específicas para granjas de integração. As granjas que criam matrizes e aves caipiras devem ser isoladas. Martins explica que quem cria matrizes e frango caipiras está mantendo um hospedeiro de parasitas, já que o ciclo de vida chega a ser três vezes maior que de um frango de granja, que é abatido jovem. Para evitar a contaminação, as áreas de criação devem ser devidamente estabelecidas num zoneamento.
Segundo Martins, a criação de frango caipira representa um nicho de mercado que está se expandindo com muita rapidez. Ele disse que grandes empresas começam a explorar esse segmento e daí a necessidade de regulamentar a atividade, através de um zoneamento avícola. Só a Sadia, em Francisco Beltrão, no Sudoeste, já está alojando 50 mil pintos por semana, para serem criados como frango caipira. Outras grandes indústrias da região Norte do Paraná também estão pensando em produzir frango caipira em larga escala, adiantou.


