Em reunião realizada ontem entre as centrais produtoras de café das Américas e o governo brasileiro, ficou reiterado o compromisso com o programa de retenção firmado no âmbito da Associação dos Países Produtores de Café (APPC), apesar de todas as críticas feitas nos últimos dias, quanto à condução da política cafeeira.
Entre as principais resoluções para a retomada das cotações de café estão estratégias de promoção e marketing que promovam o crescimento do consumo de 5% ao ano pelos próximos cinco anos, principalmente nos países produtores e países emergentes. O resultado da reunião de ontem será levado à reunião da APPC, previsto para o próximo dia 24, em Londres.
O secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Paulo Cezar Samico, reiterou, ao final da reunião, que o nível de consumo mundial está situado entre 104 milhões e 106 milhões de sacas, frente à produção estimada pela Organização Internacional do Café (OIC) de 112 milhões a 113 milhões de sacas.
O secretário, que chegou a admitir que a safra brasileira pode ficar acima do esperado, disse também que atualmente a taxa de crescimento do consumo situa-se apenas entre 1,7% a 2% ao ano no mundo, taxa menor que o crescimento da produção.
Em documento divulgado após a reunião, os participantes (incluindo Colômbia, Guatemala, El Salvador e Honduras) concluíram que os mercados futuros, tanto em Nova York como em Londres, têm provocado a queda de preços ao atuar de forma especulativa e acabam incentivando o aumento dos estoques nos países consumidores.
Oferta Os países produtores pretendem pedir ainda, à APPC, informações seguras e precisas sobre o crescimento da oferta para prevenir ajustes futuros de produção e preço. A APPC criaria um comitê de apuração e divulgação estatística que pudesse informar dados relacionados à área cultivada presente e futura e o potencial de crescimento do consumo. Estas informações evitariam maiores especulações no mercado. Todos os países presentes à reunião, além de Indonésia, Vietnã e México deverão reiterar o compromisso de adesão com o programa de retenção.
Para o diretor-geral da Federação Nacional de Cafeicultores da Colômbia, Jorge Cardenas Gutierres, os próximos três meses serão decisivos para o programa de retenção.
A Colômbia deverá reduzir sua exportação anual de café dos tradicionais 11 milhões de sacas para 9,5 milhões de sacas neste ano, em função da política de retenção do café dos principais países produtores do mundo. Segundo ele, os colombianos já retiveram 600 mil sacas desde o início do programa no país.
‘‘Isso é necessário e indispensável nas condições atuais do mercado.’’ As perspectivas de produção para a safra 2001/02 são de 11,5 milhões de sacas. Na safra 2000/01, foram produzidas 10,5 milhões de sacas, sendo 8 milhões de sacas de café verde, 800 mil de solúvel e 200 mil de torrado e moído.
Funcafé No caso do Brasil, conforme resssaltou o secretário de Produção e Comercialização do Ministério, estão retidas atualmente 1,9 milhão de sacas de café. Para este ano, o orçamento do Fundo de Valorização da Economia Cafeeira (Funcafé) pretende destinar R$ 557 milhões referentes à pré-comercialização e retenção. Este montante é composto por R$ 190 milhões que restaram do orçamento de 2000 e mais R$ 367 milhões já previstos para este ano. Segundo Samico, ‘‘este será o custo da valorização do caf钒.
Ao final da entrevista concedida após a reunião, o secretário de produção e comercialização do Ministério da Agricultura reiterou que o objetivo do programa não deverá ser atingido em curtíssimo prazo, mas que dentro de dois anos será possível observar o reordenamento da oferta. De acordo com ele, na safra 2000/2001 a oferta cresceu 50%, chegando a 17 milhões de sacas e já foi observada uma redução de 1,3 milhão de sacas. A partir do início da colheita nos países da América Central, ele acredita que a redução será mais acelerada.
Nenhum representante dos produtores de café esteve presente à reunião realizada entre as centrais e o governo brasileiro. No entanto, após a reunião e durante almoço, o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Gilson Ximenez, reiterou que as críticas feitas ao programa de retenção e à condução da política cafeeira no país nos #ltimos dias ‘‘são orquestradas’’.
Conforme o presidente do CNC, no começo da próxima semana, o ministro Pratini de Moraes deverá convocar uma reunião do Conselho Deliberativo de Política Cafeeira (CDPC) para avaliar outros pontos. Entre as propostas já apresentadas pelos produtores no final do ano passado, está a renegociação de dívidas de custeio e pré-comercialização que venceriam entre os meses de janeiro e junho.
Segundo a proposta, quando o café alcançar o nível de R$ 160 a saca, venceria 10% do total das dívidas. ‘‘Se não houvesse programa de retenção seria o suicídio da política cafeeira’’, disse.

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