Produtores de bovinos em defesa da carne brasileira
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Diante da recente postura adotada pelo Comitê de Agricultura do Parlamento Europeu que submeteu uma moção pedindo a suspensão da importação da carne bovina brasileira para o continente, os membros da Associação Nacional de Produtores de Bovino de Corte - ANPBC criaram um movimento de defesa do produto nacional.
O presidente da Associação, fundada em 2006, André Muller Carioba Arndt, ressalta que, aos mesmos moldes dos irlandeses e britânicos, os produtores estão se mobilizando. ''Vamos tentar, na verdade, quebrar essa discriminação da carne brasileira, bem como de toda a cadeia, isto é, da cria à engorda final. Nossa mobilização é exatamente para ter o respaldo de qualidade da nossa carne, que realmente existe''.
Segundo André, é importante primeiramente eliminar o caráter de comparação. ''De cara, nosso sistema é muito melhor que o dos irlandeses e britânicos. O Brasil tem domínios continentais e produz carne com qualidade e sanidade. A questão é comercial. Os números falam tudo, pois os europeus perderam mercado e precisam importar do Brasil. O mínimo que eles querem é que caia o preço de nossa carne. E nós não podemos e não vamos aceitar''.
Em números: segundo projeções, o Brasil vai exportar, em 2007, aproximadamente 2,3 mil toneladas de carne. A União Européia, composta por 25 países, 200 mil.
Para o bovinocultor de corte José Antônio Fontes, também membro da ANPBC, os números comprovam o porquê dessa reação ''intempestiva, deselegante, preconceituosa e imperialista''. ''Se eles fazem o movimento deles, criando o fato, retirando o zebu, para dizerem que a raça deve ser pura carne européia britânica, nós também temos que nos movimentar: se somarmos o rebanho britânico e europeu que temos no Brasil, saímos em vantagem em relação a eles''.
No que se refere à sanidade, Alexandre Turquino ressalta a vacinação em dia do rebanho brasileiro.''Basta vermos a quantidade de vacinas comercializadas no país. Se houve um foco de aftosa, por exemplo, protegemos. Na Inglaterra, como não há a vacinação, o poder de se alastrar é violento''.
Também integrante da ANPBC, Ricardo Jorge Rocha Pereira define a questão como puramente mercantilista. ''Como temos uma capacidade de produção pecuária imbatível, em qualidade, quantidade e manejo e os europeus não têm como concorrer, apesar de serem subsidiados, temos que tratar a questão além das porteiras, ou seja, promovendo a união dos produtores''.
Entre as ações propostas pela ANPBC, os integrantes acentuam a criação de um movimento. ''Vamos começar um movimento de forma a trazer outras entidades. O convite já foi feito à Assocon (Associação dos Confinadores), à Abiec (Associação Brasileira da Indústria de Exportação de Carne) e vamos convidar, também, o Sindicarne Paraná, as Associações de Criadores. A intenção é falar em nome do produtor e defender duramente a carne'', concluem.
O site oficial da Associação Nacional de Produtores de Bovinos de Corte é o www.anpbc.org.br/index1.jsp.


