Produtores de borracha querem desconto de IPI
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de dezembro de 1996
Gustavo Paul<br>Agência Estado 
SÃO PAULO - A cadeia produtiva da borracha no Brasil, incluindo produtores, consumidores e trabalhadores, quer que o governo dê um desconto do IPI cobrado das indústrias beneficiadoras de borracha. Representantes do setor, reunidos ontem na Comissão de Contingenciamento da Borracha Sólida do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais e Renováveis (Ibama), acreditam que essa seria a melhor solução para tirar o setor da borracha do colapso.
A CNA também encaminhou a proposta ao ministro do Meio Ambiente, Gustavo Krause. O mesmo pleito foi enviado ao ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Clóvis Carvalho, pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip). O governo daria um desconto no pagamento do IPI sobre o diferencial do preço cobrado pela borracha asiática (US$ 1,80 o quilo) e o da borracha nacional (US$ 2,58 o quilo), ou seja, US$ 0,78 por quilo. Isso representa uma renúncia fiscal de aproximadamente US$ 70 milhões por ano, disse Sampaio. Será um investimento na indústria nacional.
Segundo a Associação de Produtores de Borracha Natural do Brasil (APBNB), essa renúncia é compensada pelo total de tributos arrecadados por ano na cadeia produtiva, que é de R$ 1,6 bilhão. Atualmente, a indústria é obrigada a comprar 46,2% de borracha nacional. O País produz 60 mil toneladas por ano e há um estoque de 4,2 mil toneladas.
A Anip, porém, alega que, mesmo com a proibição da importação, não irá absorver a produção nacional nos próximos meses. Segundo Flávio Bettiol, representante da Anip, existe um total de 1,8 milhão de pneus novos estocados. Esse número nunca havia sido alcançado, reclama Bettiol. A indústria não vai comprar nada além das suas necessidades, acrescenta.
Hoje o pneu novo importado já atende 25% do mercado brasileiro. O preço da borracha nacional está 62% acima do preço do produto importado do Sudeste Asiático. O Ibama deverá decidir nos próximos dias se mantém ou não o atual índice de contingenciamento. Enquanto isso, o setor irá pressionar o governo.


