SÃO PAULO - A cadeia produtiva da borracha no Brasil, incluindo produtores, consumidores e trabalhadores, quer que o governo dê um desconto do IPI cobrado das indústrias beneficiadoras de borracha. Representantes do setor, reunidos ontem na Comissão de Contingenciamento da Borracha Sólida do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais e Renováveis (Ibama), acreditam que essa seria a melhor solução para tirar o setor da borracha do colapso.
A CNA também encaminhou a proposta ao ministro do Meio Ambiente, Gustavo Krause. O mesmo pleito foi enviado ao ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Clóvis Carvalho, pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip). O governo daria um desconto no pagamento do IPI sobre o diferencial do preço cobrado pela borracha asiática (US$ 1,80 o quilo) e o da borracha nacional (US$ 2,58 o quilo), ou seja, US$ 0,78 por quilo. ‘‘Isso representa uma renúncia fiscal de aproximadamente US$ 70 milhões por ano’’, disse Sampaio. ‘‘Será um investimento na indústria nacional.’’
Segundo a Associação de Produtores de Borracha Natural do Brasil (APBNB), essa renúncia é compensada pelo total de tributos arrecadados por ano na cadeia produtiva, que é de R$ 1,6 bilhão. Atualmente, a indústria é obrigada a comprar 46,2% de borracha nacional. O País produz 60 mil toneladas por ano e há um estoque de 4,2 mil toneladas.
A Anip, porém, alega que, mesmo com a proibição da importação, não irá absorver a produção nacional nos próximos meses. Segundo Flávio Bettiol, representante da Anip, existe um total de 1,8 milhão de pneus novos estocados. ‘‘Esse número nunca havia sido alcançado’’, reclama Bettiol. ‘‘A indústria não vai comprar nada além das suas necessidades’’, acrescenta.
Hoje o pneu novo importado já atende 25% do mercado brasileiro. O preço da borracha nacional está 62% acima do preço do produto importado do Sudeste Asiático. O Ibama deverá decidir nos próximos dias se mantém ou não o atual índice de contingenciamento. Enquanto isso, o setor irá pressionar o governo.

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