Produtores de batatas do PR protestam por falta de crédito
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quinta-feira, 20 de março de 1997
Carmem Murara<br> Sucursal de Curitiba 
Os produtores de batatas do município de Contenda, região Sul do Estado, se reúnem na próxima terça-feira para organizar um dia de alerta. Eles querem protestar contra a situação de inadimplência em que o setor chegou com as últimas plantações de batata e feijão. As dívidas acumuladas fizeram com que os bancos reduzissem as linhas de crédito. Nesta safra, praticamente não foi liberado financiamento.
Contenda e Guarapuava são as maiores produtoras de batata do Estado. Somente em Contenda, há quase 1,5 mil agricultores que vivem do plantio de batata e feijão. Mas muitos estão abandonando a atividade. A redução da área plantada chegou a 30% neste ano em comparação a fevereiro do ano passado. O plantio acontece nos dois primeiros meses do ano e a colheita se dá entre os meses de julho e agosto. Em 96, a área plantada foi de 16,8 mil hectares.
A crise dos bataticultores tem piorado desde a implantação do Plano Real. Os produtores não conseguiram pagar os empréstimos tomados nos bancos por causa das altas taxas de juros. As dívidas foram vencendo e os preços de comercialização ficaram abaixo da previsão, afirmou o secretário municipal de Agricultura, Artur Emanuel Pinto Pius. O secretário é um dos organizadores do protesto de Contenda.
Segundo representantes da Associação dos Bataticultures do Paraná (Abapar), o preço de venda da batata não compensa a colheita. Muita batata plantada ficou na terra, porque não valia a pena colher, disse o diretor da Abapar, Luis Alberto Paula Bueno.
O custo de plantio ficou em torno de R$ 6,00, enquanto a saca do produto foi vendida por R$ 5,00, no período da safra. Agora, houve uma recuperação no preço. A saca de 60 quilos pode chegar a um preço médio de R$ 15,00.
Outro fator que agravou a situação dos produtores de batata da região de Contenda foi a importação de batata argentina. Com todas as taxas de importação, o produto importado chegou no mercado atacadista a R$ 18,00 a saca de 60 quilos, preço equivalente ao praticado pelos agricultores paranaenses, no ano passado. Os comerciantes optaram pela batata importada por causa das condições de pagamento, que poderia ser feito em até 180 dias.


