Produtores de batata são executados de novo
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quarta-feira, 08 de outubro de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba Os produtores de batata de Contenda, Araucária e Lapa, municípios da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), voltaram a ter suas dívidas executadas pela Rio Paraná, uma empresa de cobrança, que adquiriu a carteira de inadimplentes do banco Itaú, por cerca de 3% do valor da dívida. As dívidas desses agricultores vêm se arrastando desde 1994.
Cerca de 400 produtores estão com dívidas junto aos bancos Banestado e Banco do Brasil, que variam de R$ 30 mil a cerca de R$ 300 mil, para os pequenos produtores. Eles estão com suas propriedades inviabilizadas economicamente porque não conseguem financiamento bancário para o custeio das safras e também não conseguem ser enquadrados no Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar (Pronaf).
De acordo com especialistas, os agricultores não têm mais patrimônio para saldar as dívidas. Muitos dos agricultores já foram executados no Fórum da Lapa, mas não pagaram as dívidas. Anteontem à noite, os agricultores se mobilizaram novamente para tentar conseguir apoio dos governos federal e estadual para resolver o impasse. Foi encaminhada uma proposta ao governador do Estado, parlamentares e para a presidência da República pedindo a retomada do Banestado pelo Banco Central.
De acordo com o advogado que representa alguns agricultores, Mozart de Quadros, as dívidas foram elevadas acima da capacidade de pagamento dos agricultores ou do patrimônio que eles têm. A bronca dos produtores é com o banco Itaú, que adquiriu o Banestado, onde eles fizeram as dívidas, e depois vendeu a carteira de inadimplentes para uma empresa de cobrança. Em relação ao BB, o advogado disse que a instituição tem sido mais tolerante e não está executando os agricultores.
''Se o governo do Paraná pagou R$ 5 bilhões ao Banco Central para cobrir os furos do Banestado, para vender o banco saneado ao Itaú por R$ 1,7 bilhão, e mesmo assim o Itaú vendeu a carteira de inadimplentes por um percentual considerado irrisório em relação ao valor das dívidas, por que esse benefício não foi repassado aos agricultores?'', perguntou o advogado.
A Rio Paraná e Rio Branco, duas empresas de cobrança que estão procurando os agricultores, foram contatadas ontem pela Folha mas os diretores estavam em viagem e não puderam atender a reportagem.


