Produtores de aves do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo que representam 73,72% da produção nacional vão cortar em 10% o alojamento de pintinhos nas granjas. O motivo da decisão é a alta no preço do milho e da soja, principais insumos consumidos pelo setor. A soja, comercializada por R$ 53,00 a saca, subiu 14% desde o início do ano. No milho, a alta foi maior: 50%, com o produto vendido a R$ 21,00 por saca no Paraná.
O preço do frango no atacado hoje é de R$ 1,80 FOB (expressão do comércio internacional que significa 'posto a bordo'), 33% mais barato do que em outubro de 2003. Na prática, a medida vai representar 63.970.848 quilos de frango a menos na mesa dos brasileiros. A redução da oferta de aves só deverá ser percebida dentro de 45 dias.
Apesar da redução, o presidente do Sindicato das Indústrias Avícolas do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, garante que não haverá falta de produto e consequente aumento de preço. ''Existem estoques represados pela greve dos fiscais federais e por exportações que não se realizaram'', justificou.
Outro setor preocupado com o aumento da soja e do milho é a suinocultura, que também utiliza os grãos como insumo. A situação enfrentada pelos produtores é menos alarmante porque os preços da carne suína passam por um período de valorização. Nos últimos 20 dias, o produto subiu 12% e é comercializado a R$ 2,20 por quilo.
O presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Irineu Wessler, explicou que o aumento decorre da baixa oferta. Após a crise enfrentada pelo setor em 2002 e 2003, muitas matrizes foram descartadas. ''Depois da quaresma, haverá espaço para novas altas.''

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