Produtores criticam grandes redes
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de novembro de 2002
Luciana Pombo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Produtores de hortifrutigranjeiros protestaram ontem contra o que chamam de descaso das autoridades governamentais com a situação vivida pelos pequenos agricultores no Paraná. Sem citar nomes, o presidente da Associação dos Hortifrutigranjeiros de Curitiba, Paulo Danova, acusou as redes supermercadistas de achatarem os preços de verduras, frutas e legumes.
Um pé de alface, por exemplo, teria um custo estimado em R$ 0,12 (sem contar transporte e o lucro do produtor), mas estaria sendo vendido a R$ 0,07. Enquanto o preço do produto cai nas grandes redes supermercadistas, o custo teria aumentado em torno de 400% nos últimos seis anos. ''Os hortifrutigranjeiros estão pedindo socorro'', disse ele, durante audiência pública da CPI dos Alimentos, no Plenarinho da Assembléia Legislativa.
Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Colombo (Apac), Cesar Lovato, 90% dos produtores de hortifrutigranjeiros comercializam diretamente com as redes supermercadistas. ''Eles acabam se submetendo a qualquer coisa por não terem parâmetros ou planilhas de custo'', lamentou. Ele acusou ainda os supermercados de cobrar bonificações de 100% nas inaugurações de novas lojas, mês de aniversário e reinaugurações.
Os contratos feitos com os produtores obrigariam ainda os hortifrutigranjeiros a dar descontos de 10% a 12% no valor das notas fiscais. ''E quem não faz isso é ameaçado pelo supermercadista. Como ele não sabe o que fazer para vender, acaba se submetendo a qualquer coisa'', complementou Antonio Ricardo Milgioransa, presidente da Associação dos Secretários Municipais de Agricultura do Paraná.
O presidente da Central de Abastecimento do Paraná (Ceasa), José Lupion Neto, disse que a situação atinge cerca de sete mil produtores no Estad, dos quais 3,5 mil são da Região Metropolitana de Curitiba. ''Os descontos dados nas notas representam a elaboração de um caixa dois nas redes supermercadistas. Eles ainda devolvem produtos que não conseguem vender e descontam verduras supostamente estragadas. Mas não existe fiscalização'', denunciou.
Outro problema para o produtor paranaense, levantado na CPI, foram as autuações emitidas pelo Conselho Regional de Engenharia, Agricultura e Agronomia (Crea) contra os produtores que não têm Anotação de Responsável Técnico (ART), mesmo que a propriedade seja pequena. Somente em Colombo teriam sido aplicadas 50 notificações, num valor estimado de R$ 400,00 cada uma. ''Tenho orientado o agricultor que se recuse a atender o Crea em sua propriedade. Só entra com ordem judicial'', afirmou Danova.


