Os números sobre a quebra na safra de soja 2004/2005, ocasionada pela estiagem no Norte do Estado, estão sendo questionados por produtores rurais. Esta semana, o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab) divulgou à Folha que o Norte do Estado registra quebra de 0,5%. Porém, a Cocamar reavaliou em 18% a quebra da safra. Agricultores da região dão conta que a perda pode chegar a 30% em algumas lavouras.
De acordo com o Deral, as regiões oeste e sudoeste são as mais atingidas com a estiagem, registrando perdas de 15%. No Estado todo, os números do Deral indicam quebra média de 6,1%. A produção inicial, estimada em 12,43 milhões de toneladas passa para 11,67 milhões de toneladas, representando queda de 760 mil toneladas.
Entretanto, a Cocamar reabateu os números divulgados, apontando em 18% até agora as perdas ocasionadas pela estiagem em sua região, onde foram cultivados nesta safra cerca de 365 mil hectares. O índice é quase o dobro do que havia sido divulgado há alguns dias, de 10%, e poderá ser ainda maior se não chover logo. Mais da metade das lavouras encontra-se em fase de granação, período em que as plantas estão expostas aos efeitos climáticos. Como 30% da soja está madura, a colheita vem acontecendo em vários municípios.
''É um absurdo falar em perdas de 0,5% no Norte do Estado. Só na minha propriedade as perdas chegam a 30%. Se a chuva demorar mais alguns dias, vamos ter uma quebra de 50%'', relata o agricultor Valdemar Favoreto, que cultiva soja na região de Setanópolis (40 quilômetros de Londrina) e Guairá (158 quilômetros ao Norte de Cascavel). ''A cada dia que passa a situação da soja, plantada após 10 de novembro, se agrava porque as perdas vão triplicando'', comentou Favoreto, que se emocionou ao falar das perdas. Na propriedade de Guairá, onde cultiva 416 alqueires da cultura, ele disse que a situação é pior. ''Quando a planta está na fase vegetativa, ela até aguenta uma estiagem, mas nesta fase reprodutiva (enchimento de grão), não''.
Na região de Toledo, o agricultor Ademir Antonio Riedi, calcula que está tendo quebra em 32% em relação à safra passada. ''Nos 371 alqueires que já colhi esta semana, calculo 32% a menos. Faltam ainda serem colhidos pelo menos 700 alqueires. Desses, 140 alqueires, que foram plantados mais tarde, estão começando a granar e seca pode prejudicar ainda mais''. A última chuva na fazenda dele ocorreu em 28 de janeiro.
De acordo com estimativa da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja) a quebra da safra no Brasil deve girar entre 5% a 10%. A previsão inicial era de colher cerca de 62 milhões de toneladas.
Ontem, técnicos do Seab disseram não poder dar informações sobre o assunto até a entrevista coletiva com o secretário de Agricultura, Orlando Pessuti, programada para a próxima semana.

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