As constantes intempéries climáticas e as bruscas variações de preços levaram o agricultor Antônio Donizete Schiavinato, de Cornélio Procópio, a investir na diversificação. Produtor de grãos há mais de 50 anos, a paisagem da propriedade de 17 alqueires já não é mais a mesma. As lavouras de grãos cederam espaço para a produção de frutas e para o café. ''O plantio de grãos está difícil para os pequenos produtores porque o custo de produção subiu muito. Acredito que os grãos vão ficar só com os grandes (produtores) porque eles vão ganhar no volume'', avalia.
A afirmação do pequeno produtor rural tem embasamento técnico. A salvação da lavoura está na diversificação e a rentabilidade para os produtores na integração entre agricultura e pecuária, na fruticultura ou até na criação de frangos, segundo aponta estudo do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). E a prova é que nos municípios onde a economia está baseada em poucas culturas, o faturamento bruto dos produtores caiu nos últimos dez anos. Nos locais onde foi feita a aposta em várias produções o resultado veio e a lucratividade subiu.
Em média, o Valor Bruto da Produção (VBP) cresceu 25% no Paraná em 2006 na comparação com 1997. No entanto, no núcleo da Seab de Londrina (que compreende 19 municípios) o VBP caiu 7,2%. No Estado, o faturamento foi de R$ 25,78 bilhões há dois anos contra um valor de R$ 20,70 bilhões (corrigidos pelo IGP-DI até 2006) atingindos em 97. Já na região de Londrina, há 11 anos os produtores faturaram R$ 1,18 bilhão, valor que caiu para R$ 1,09 bilhão em 2006. O levantamento de dois anos só foi concluído agora pelo Deral porque considera todos os itens da produção agropecuária comercial do Estado (foram cerca de 500).
Aliás, em todo o Paraná, de 20 núcleos da Seab somente outros três tiveram queda no VBP: Cornélio Procópio (-11%), Ivaiporã (-6,9%) e Toledo (-13,3%). O estudo mostra que Antônio Schiavinato agiu na contramão dos demais produtores da sua região. Ele conta que resolveu investir na diversificação depois de convites da Emater local. Em 1999, o produtor já havia implantado o café, enquanto os laranjais começaram a ser plantados em 2004 e deram a primeira produção no ano passado. Já as bananas passaram a ser cultivadas há menos tempo e estarão no ponto de colheita no final deste ano.
Atualmente, são 2 alqueires de laranja de mesa; 3 de banana; 1 de café; e 11 divididos entre a soja e o milho (verão) e o trigo (inverno). ''A laranja é um bom investimento, mas demora quatro anos para dar retorno. Um alqueire de laranja equivale a 20 de soja em rendimento'', compara Schiavinato. Para garantir a comercialização, ele se associou a uma cooperativa de Nova América da Colina, que seleciona, prepara e comercializa as frutas. No entanto, com o anúncio de instalação de uma indústria de sucos de laranja naquela região, o produtor estuda a possibilidade de aumentar o plantio para atender a nova demanda.
''Pretendo plantar mais três alqueires de laranja, mas o investimento é alto com a compra de mudas e de adubos e, por isso, o plantio é devagar'', diz Schiavianto. Ele pretende cultivar mais três alqueires de laranja para indústria, área que será tirada da produção de grãos. Aliás, a sua intenção a longo prazo é acabar com as lavouras e os cafezais, espaço que será ocupado pelas laranjas e pelas bananas. Os altos custos de produção também ocorrem nos cafezais, que ainda esbarram em um outro problema: a falta de mão-de-obra para a colheita. Já o investimento nas bananas é compensatório porque oferece renda mensal, ao contrário das outras culturas. O produtor optou pela variedade maçã pela facilidade de comércio e pela manutenção de preços.

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