Cascavel Mais do que ganhar bonés e pôsteres de tratores e colheitadeiras, os produtores buscam conhecimento nas feiras agropecuárias. É o caso de Carlos Rodrigues Medeiros, que veio de Itaberaí (GO) para descobrir as novidades tecnológicas apresentadas no Show Rural Coopavel, que está sendo realizado em Cascavel até sexta-feira. Na tarde de ontem, ele participou de um dos grupos de treinamento de aplicação de defensivos promovido pela Coopavel, em parceria com a Universidade do Oeste do Paraná (Unioeste) e empresas do ramo de defensivos agrícolas.
Segundo Robinson Luiz Contiero, um dos coordenadores do grupo de Tecnologias de Aplicação (TA), o treinamento consiste em sete palestras, com cerca de 10 minutos cada. ''Em menos de uma hora o produtor aprende novas técnicas e ainda recebe um certificado de participação no curso'', afirmou.
A novidade para este ano, ressaltou Contiero, é a apresentação de uma técnica que evita a deriva, substituindo a água pelo óleo na diluição do defensivo. Elaborada em 2003 pelo Centro Brasileiro de Bioaeronáutica (CBB), a técnica foi testada na pulverização feita por aviões e em 2004 foi adaptada ao meio terrestre.
Segundo o coordenador do TA, os produtores usam em média 20 litros de óleo por hectare, enquanto para água são necessários 200 litros por hectare. ''O óleo protege a gota, aumentando a qualidade da pulverização'', disse Montiero.
Outra palestra aborda a escolha de bicos ideais na aplicação de fungicidas para o combate da ferrugem asiática. Montiero explica que uma pesquisa feita pela Unioeste em conjunto com a Coodetec e a Bayer apontou o bico duplo leque como sendo o mais eficiente em lavouras com incidência de ferrugem, ''pois propicia maior penetração do fungicida na área foliar da soja''.
A assistência de ar em pulverização de barra também é discutida no treinamento. De acordo com Montiero, o turbilhonamento proporcionado por um cortina de ar acoplada ao pulverizador direciona a gota para baixo, auxiliando a penetração do produto e diminuindo perdas por volatização, além de evitar em até 40% a deriva. ''É um sistema que pode ser acoplado a qualquer pulverizador e o investimento é baixo se comparado ao retorno experimentado pelo produtor'', declarou.
Para Luis Carlos Garcia, agrônomo da Coopavel, a manutenção dos pulverizadores e o uso correto dos equipamentos de proteção individual são assuntos já discutidos, mas que fazem a diferença no resultado final da aplicação. ''Um pulverizador com bicos desgastados e mal regulados pode custar até R$ 1.500 em defensivo por bico'', calculou.
Segundo Garcia, os produtores ainda relutam a troca dos bicos, que custam em torno de R$ 30. ''Este treinamento é uma ótima oportunidade para conscientizarmos o produtor, que sabe das técnicas, mas não as coloca em prática'', disse.

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