Especulações sobre uma quebra maior que a prevista na safra brasileira de café estão estimulando os produtores a segurarem o produto à espera de melhores preços. Segundo o Sindicato das Indústrias de Café do Estado de São Paulo (Sindicafé), as torrefadoras nacionais já encontram dificuldade para se abastecer. Há algumas semanas o Índice de Oferta para Indústria (IOIC) aponta o nível insuficiência, atingindo 3,72 pontos.
O corretor Marcos Bacceti, de Londrina, confirma a tendência. Segundo ele, das 20 mil sacas de café de safras antigas que o governo leiloou anteontem para as indústrias, 19,3 mil sacas foram vendidas. Com preço médio de abertura de R$ 120,00 por saca, o preço médio do leilão ficou em R$ 145,00, com ágio de R$ 25,00. ''Esse quadro é um dos indicativos de que há baixa oferta'', comentou o corretor.
A previsão é que o Brasil produza de 27 a 30 milhões de sacas, ante 47 milhões obtidas na safra passada. No Paraná, a quebra deve ser de 17%, com produção de 1,92 milhão de sacas. A seca enfrentada pelas regiões produtoras de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo podem refletir na produtividade da safra que vem. ''Esse fator, se confirmado, também vai interferir no preço'', comentou.
O presidente da Associação Paranaense de Cafeicultores (Apac), Ricardo Strenger, lembrou que os cafeicultores estão descapitalizados e, há dois anos, não fazem todos os tratos culturais necessários. ''O resultado é a produção será mais baixa que a prevista pela Conab'', opinou.
Como os preços atuais não cobrem o custo de produção, os cafeicultores que já venderam o suficiente para satisfazer suas necessidades de caixa estão segurando o produto na espera de que os preços melhorem. ''Esperamos reação do mercado a partir de setembro'', disse.
A semana foi marcada por muitas oscilações no preço do café, causadas por ações especulativas na Bolsa de Nova York. Ontem, o mercado feixou em baixa, com cotação de R$ 160,00 por saca de café fino, em Londrina.

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