Agricultores fazem operações rotineiras de tratos culturais na soja no norte do Paraná, enquanto o mercado está parado. O início do ano civil é tranquilo para as principais culturas de verão, soja e milho, cujo ano agrícola está correndo bem, ‘‘embora menos generoso que o ano passado’’, como observa Antônio Sartori, analista de mercado da Brasoja, de Porto Alegre, referindo-se à região Sul, principalmente o seu Estado. No Rio Grande do Sul, que planta um pouco mais tarde, o milho sofre ‘‘problemas localizados’’ de estiagem: ‘‘Há municípios onde não chove há mais de 30 dias’’, informa Sartori. Ele tem certeza que isto reduz a produtividade, mas considra cedo para adiantar se reflete nos preços, a não ser de forma especulativa.
A safra nacional deve confirmar as previsões, a julgar pelas condições das lavouras nos demais Estados.
Na soja, entre 30% e 35% da safra nacional já está comercializada e a prefixação de preços foi um dos melhores negócios dos últimos anos. Segundo a Brasoja, quem fechou negócio no início do plantio, ano passado, garantiu preços que variam entre R$ 25,00 e R$ 26,00/saca, em média mais de R$ 2,00 por saca sobre os preços dos últimos dias (R$ 24,00, ontem, no Oeste).
O Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura (Deral) mantém estimativa de área de 3,22 milhões de ha. Nas atuais condições, a produção deve chegar a 9,7 milhões de toneladas, com aumento de 13% em relação à safra passada. A soma da produção das principais lavouras de verão no Paraná deverá chegar a 17,08 milhões de t, com 5,23 milhões de ha. No ano passado, na safra de grãos, o Paraná colheu 24 milhões de toneladas, o que representou uma renda de R$ 5,5 bilhões e desempenho 46,5% superior ao do ano 2000.
Muitos agricultores anteciparam o plantio da soja para iniciar o plantio do milho safrinha o mais cedo possível. São duas as vantagens: entrar no mercado num momento de pouca oferta, e com chance de uma supervalorização do milho, e ficar longe do início da queda de temperatura, no início do inverno. A safrinha de milho deve crescer diante das evidências de escassez do produto no segundo semestre do ano.
A aproximação da época da colheita do milho pode mexer com o mercado. A tendência de alta de preços perde força com a previsão de colheita. Segundo a FNP Consultoria e Mercado, pode ocorrer um afrouxamento de preços no Oeste do Paraná, Rio Grande do Sul e algumas regiões de São Paulo. Para os vendedores do grãos o melhor é ficar fora do mercado por um bom período, tendo em vista a tendência de baixa do grão. Já nas praças onde os preços mostram tendência inversa, a recomendação naturalmente é no sentido de que participem do mercado, negociando produto da safra velha, mas dosando bem a oferta.

mockup