Curitiba - Apesar da ocorrência de chuvas esparsas em alguns pontos do Estado, a tendência é de prolongamento dos efeitos da estiagem sobre a produção. Muitos produtores estão antecipando o abate de animais por falta de água. Na região Noroeste, os pecuaristas estão enviando os animais para o frigorífico com 13 a 14 arrobas, quando o normal seria abater entre 18 e 19 arrobas. Na região Oeste, alguns suinocultores também tiveram que recorrer ao abate antecipado para não ampliar os prejuízos.
O zootecnista da Emater de Paranavaí, Vander de Souza, disse que aumentou muito a oferta de boi magro e também de vaca para o abate na região. ''O pecuarista está temendo a falta de pastagem no inverno'', justificou. O técnico salientou que os estoques de pastagens para o inverno já estão comprometidos.
Segundo o técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Roberto de Andrade Silva, a seca antecipou a perda de massa verde das pastagens e não está dando tempo para o pecuarista estocar áreas para o inverno, como normalmente acontece. ''Com isso, ele está antecipando o abate'', confirmou.
De acordo com Souza, a expectativa é que em breve deverá faltar bezerro para reposição.''Se está havendo uma queda no preço do boi por conta do aumento da oferta agora, certamente a escassez poderá promover uma valorização nos próximos meses'', acredita.
O presidente da Associação Paranense de Suinocultores, Irineu Wessler, disse que o abate antecipado de animais também ocorreu no setor, embora em escala menor. Ele acredita que cerca de 3% a 5% dos suinocultores (30 mil no Estado) das regiões Oeste e Sudoeste anteciparam os abates por escassez de água nas propriedades. Segundo Wessler esses produtores enviaram os animais para a indústria com uma média de 80 quilos quando o normal para o abate é acima de 100 quilos,''quando a conversão é mais rentável para o produtor'', explicou.
Mas a maioria dos produtores está recorrendo a alternativas para driblar a seca, contou Wessler. Os suinocultores estão perfurando poços artesianos, abrindo açudes para encontrar água. Segundo ele, a situação no Sudoeste melhorou nos últimos dias em função das recentes chuvas, mas no Oeste a estiagem continua crítica.
A preocupação dos suinocultores é com a possibilidade de escassez do milho, matéria-prima básica para a atividade. Muitos produtores deixaram de plantar o milho safrinha no período recomendado e quem plantou já teve quebra em algumas regiões. Além disso, indústrias gaúchas já estão no Paraná comprando os estoques de milho da safra normal, o que pode comprometer o abastecimento no segundo semestre, dependendo do comportamento da safrinha, disse o técnico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra. Ele não acredita que o Paraná vai importar milho porque a produção é suficiente para o consumo, mas prevê o aquecimento do mercado daqui para frente.

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