Produtores de laranja da região Noroeste do Estado que têm contrato com a Cocamar Citros, não aceitam o fechamento da indústria, em Paranavaí, e prometem entrar na Justiça para serem ressarcidos de prováveis prejuízos. A ameaça de fechamento da Cocamar Citros existe há cerca de 30 dias, quando a cooperativa anunciou que não tem mais interesse em dar continuidade ao projeto da indústria de suco de laranja. Ontem de manhã, os produtores estiveram reunidos na sede da Associação dos Citricultores do Paraná (Acipar) para discutir o problema.
O secretário da Acipar, Marcelo Favaron Alves, afirma que os produtores não querem o fechamento da indústria e vão dar um prazo até esta sexta-feira para que a Cocamar entre em acordo com o Banestado e o Fundo de Desenvolvimento Estadual (FDE). Diretores da cooperativa e dos bancos estão tentando um acordo para evitar o fechamento da indústria, mas os produtores alegam que até agora nada foi feito, apesar da proximidade da safra da laranja que inicia no mês que vem. Se não houver acordo e a Cocamar insistir no fechamento da indústria, os produtores prometem entrar com ação coletiva na Justiça pedindo o ressarcimento dos prejuízos. A indústria deveria começar o esmagamento da laranja na segunda quinzena de abril.
De acordo com Alves, os quase 280 produtores que fornecem laranja para a indústria Cocamar Citros deverão entregar este ano cerca de 3 milhões de caixas do produto. A produção é menor do que a do ano passado, quando os produtores entregaram à Cocamar Citros, 5 milhões de caixas. A queda na produção não foi causada pela crise da indústria, mas pelo fenômeno ‘‘El ni¤o’’ que atrasou a florada dos laranjais. Os produtores alegam que, com o fechamento da indústria, não haverá mercado para toda a produção deste ano, a não ser o ‘‘in natura’’. ‘‘O mercado ‘in natura’ não é viável porque é mais exigente e a laranja que é produzida na região é para atender às necessidades da indústria’’, explica Alves. Segundo ele, os produtores não têm interesse em produzir para o mercado ‘‘in natura’’ devido os custos de novos investimentos.
A maioria dos produtores tem contrato com a Cocamar Citros para um período de 12 anos. Os prejuízos com o fechamento da indústria não foram calculados pela Acipar, mas a assessoria jurídica deverá reivindicar todos os direitos de acordo com o período ainda em vigor do contrato de cada produtor para com a Cocamar. A Folha não conseguiu falar com os diretores da Cocamar. Nenhum deles retornou a ligação até o final da tarde de ontem.

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