Prever o comportamento futuro dos preços das commodities agrícolas é quase uma tarefa impossível. Suscetíveis às condições climáticas e também ao mercado financeiro, o agronegócio é uma das atividades mais arriscadas consideradas pela economia global. Porém, esse mesmo mercado já criou possibilidades de minimizar os efeitos negativos dessas duas variáveis. A adoção de pacotes que incluem o seguro agrícola, a venda em mercado futuro em bolsa ou de opções, podem trazer uma certa tranquilidade para o produtor perante as bruscas oscilações do mercado.
A afirmação é do diretor para a América Latina da consultoria Futures International, LLC de Chicago (Estados Unidos), Pedro H Dejneka, que ministrou ontem uma palestra no Parque Ney Braga em Londrina para produtores e empresários sobre o comportamento do mercado de commodities agrícolas. Segundo ele, muitos produtores não investem na adoção do seguro agrícola por achar a ação desnecessária. Mas ele afirma que adquirir um plano garante ao agricultor, no mínimo, o pagamento dos custos de produção.
Segundo ele, mesmo com uma estimativa de quebra de 30% na safra americana devido à estiagem que atinge o país, muitos produtores continuarão na atividade porque possuem seguro agrícola. Dejneka completa que a adoção do Hedge, que é uma espécie de apólice de seguros que garante uma proteção contra fatores fora de controle, como a estiagem, vai possibilitar a recuperação dos EUA. De acordo com dados da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) mais de 80% dos produtores americanos adotam algum tipo de seguro. No Brasil, esse índice não passa dos 18%.
Dejneka explica que além das condições climáticas, os valores das commodities são influenciáveis pelo câmbio, política econômica e mercado internacional. O consultor garante que adotar um dos sistemas preventivos, como seguro, mercado futuro e de opções é uma questão de gestão. ''A dor da perda é maior que a de não ganhar'', brinca o consultor. Ele completa que o produtor deve garantir aquilo que sustenta os seus ganhos.
O consultor complementa que mesmo com a eficiência do agronegócio brasileiro ''dentro da porteira'', o Brasil ainda está sujeito a um alto custo de produção. Um dos fatores que endossa essa realidade são as más condições da logística e também da infraestrutura do País. ''Não há como os produtores brasileiros tornarem mais competitivos com esses problemas'', acrescenta o diretor da Futures International, LCC.
Créditos
De acordo com o economista da FAEP, Pedro Loyola, 70% dos produtores brasileiros estão inseridos nas classes C e D. Um dos motivos para essa classificação é a instabilidade de renda que os pequenos e médios produtores sofrem com as oscilações de mercado. ''Os altos custos de produção são um dos fatores mais prejudiciais ao setor'', observa. Loyola observa que a utilização de um sistema de gestão de riscos é ação que pode reverter esse quadro.

Imagem ilustrativa da imagem Produtores ainda pecam no planejamento
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