Produtores aguardam PEP para o trigo
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quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
O compromisso assumido pelo ministro da Agricultura Reinhold Stephanes, em Curitiba, de disponibilizar recursos da ordem de R$ 600 milhões para apoiar a comercialização de trigo pode trazer alguma tranquilidade aos produtores paranaenses. Eles dizem que atualmente não têm conseguido preço ou compradores para o produto que, em média, está sendo cotado a R$ 25,32 (saca 60 quilos) no Paraná. Os recursos anunciados pelo ministro vão retirar trigo do mercado principalmente por meio de Prêmio de Escoamento da Produção (PEPs).
Segundo Flávio Enir Turra, gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), a expectativa é de que o primeiro leilão de PEP ocorra na semana que vem, com a compra de 150 mil toneladas. O técnico afirma que a situação dos produtores tem se agravado com a sobreposição das safras. ''Temos no mercado cerca de 300 mil toneladas do ciclo anterior e mais de 70% da safra atual já colhidas'', calcula.
Turra diz que o mercado do trigo está paralisado. ''As indústrias não estão comprando e a expectativa é que o governo garanta o preço mínimo e concretize o compromisso de apoiar a comercialização'', afirma. Segundo, ele a orientação da Ocepar é que os produtores participem dos leilões dos PEPs. Segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), na safra 2008/09 foram retiradas do mercado 2,4 milhões de toneladas de trigo por meio de Aquisições do Governo Federal (AGFs), contratos de opção e PEPs.
O mercado, segundo Luiz Roberto Ferrari, presidente da Bolsa de Mercadorias de Londrina, espera que o governo libere AGFs para a aquisição de trigo de padrão inferior. ''Não existe trigo de boa qualidade disponível para a compra. Assim, sem a alteração das regras da legislação federal, os recursos não ajudariam, pois elas proíbem que o governo compre qualquer produto de baixa qualidade'', afirma.
Um dos que aguardam os leilões é o produtor Dagoberto José Ludwig, de Sertanópolis, que perdeu quase toda a produção por problemas climáticos e agora não encontra condições para vender o trigo. ''O governo tem que dar a mão agora porque senão vamos quebrar'', afirma, ao reivindicar preço e prorrogação dos prazos dos financiamentos da safra. Ludwig diz que das 120 sacas por alqueire previstas colheu apenas 20 por alqueire.
Para Valdemar Favoreto, a situação ''é lastimável''. Ele relata que o mercado está completamente parado. ''Na cooperativa existe uma fila de espera, mas sem previsão de compra. Quem consegue comercializar tem que aguardar mais de 30 dias para receber'', queixa-se. Favoreto também contabiliza prejuízos na safra. Segundo ele, na sua propriedade foram cultivados 200 alqueires de onde colheu apenas 4,5 mil sacas de trigo de qualidade intermediária.
Favoreto afirma que além da falta de compradores, a indústria continua trazendo produto do exterior. ''O governo prometeu taxar em 35% o trigo importado, mas isso não aconteceu'', critica. ''Plantamos com a garantia de que teríamos preço, mas agora não temos preço nem mercado'', completa.
No Paraná, relatório divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretária de Estado da Agricultura, indica que cerca de 70% das lavouras foram colhidos. As chuvas constantes provocaram redução na produtividade dos trigais e na qualidade física dos grãos. Com relação à safra nacional, a projeção é de uma redução de 10,4% na produção, com uma colheita estimada em 5,25 milhões de toneladas. Além disso, levantamento do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos mostra um aumento na estimativa de produção mundial de trigo neste ciclo, acompanhado de um ajuste nos volumes consumidos. Com isso, o estoque mundial, que é o maior dos últimos anos, não teve alteração expressiva, o que mantém a tendência de preços menores do que os da safra passada. (Colaboraram Célia Guerra e Fernanda Mazzini)


