Produtores acampam em frente à Lorenz: dívida
Vânia Moreira
De Umuarama
Cerca de 20 produtores de mandioca, representando todos os fornecedores da Companhia Lorenz, acamparam ontem na fecularia, em Umuarama, exigindo o pagamento da safra que venderam para à indústria ano passado e até agora não receberam. Segundo um dos líderes do movimento, Francisco José de Oliveira, 55 anos, de Xambrê, a Lorenz deve aproximadamente R$ 270 mil para 103 produtores da região.
Nós vamos ficar acampados aqui, nos revesando em grupos de 15 a 20 agricultores e só saímos quando a empresa pagar o que nos deve, disse Francisco. A fecularia está paralisada há quase 15 dias por falta de matéria-prima.
A crise financeira da Lorenz, uma das maiores companhias de produtos alimentícios do país, se arrasta há quase dois anos. As fecularias de Umuarama e Cianorte enfrentaram greve de empregados e protestos de agricultores por causa do atraso no pagamento de salários e matéria-prima. Os 55 empregados da fecularia em Umuarama estão com quatro meses de salários atrasados. Chegaram a ficar seis meses sem receber. A empresa fez um acordo de pagar os atrasados em três parcelas, mas até agora só pagou uma parcela. Os agricultores não querem mais vender à prazo. A empresa só estaria conseguindo comprar mandioca pagando à vista.
Francisco de Oliveira tem R$ 4 mil para receber, o equivalente a 35 toneladas de mandioca. Dono de sete alqueires em Xambrê, ele vendeu 80 toneladas para a Lorenz em maio do ano passado. A empresa pagou uma parte aos poucos, mas agora não repassa mais nada. O produtor Geraldo Ângelo da Silva, 47 anos, de São Jorge do Patrocínio, vendeu 308 toneladas em março. Ainda tem R$ 8.100 para receber. Os produtores levaram colchões e panelas e garantem que só deixam a fecularia quando receberem. A Folha tentou contato com o gerente da fecularia, Antônio Carlos Zamberlan, por telefone, mas ele não atendeu, nem retornou as ligações.





