Produtora ganha prêmio da ONU
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terça-feira, 17 de outubro de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
A agricultora Sandra Mara dos Santos, 38 anos, do município de Campo Magro, Região Metropolitana de Curitiba, recebeu ontem um prêmio da Organização das Nações Unidas (ONU) pelo trabalho que desenvolve no cultivo de alimentos orgânicos, produzidos sem o uso de agrotóxicos. Sandra foi a única brasileira, entre 34 mulheres de todo o mundo, a conquistar o certificado e uma medalha que simbolizam o prêmio Criatividade da Mulher no Meio Rural.
Não acreditei quando me falaram. A gente sempre acha que existem outras pessoas que fazem um trabalho melhor, afirmou Sandra, que recebeu a honraria na manhã de ontem na sede da Emater, em Curitiba. Há 10 anos, a agricultora garantiu que nenhuma gota de produtos químicos é despejada nos seus oito alqueires de plantação de legumes e verduras. Sandra deixou o cultivo convencional quando sofreu um aborto espontâneo. Ela disse que os agrotóxicos causaram a perda do bebê, que estava no quarto mês de gestação.
Para ser um produtor de alimentos orgânicos, é preciso ter consciência ecológica, afirmou Sandra. As regras: a água usada na irrigação precisa ser captada de uma fonte que tenha controle bacteriológico, evitar o uso de produtos químicos de qualquer espécie e não plantar culturas fora de época que possam causar o aparecimento de pragas e o uso dos agrotóxicos. Por último, dispensar um período para descanso do solo e recomposição dos microorganismos que ajudam no desenvolvimento dos alimentos.
Outros 11 pequenos agricultores de Campo Magro formam uma comunidade que trabalha nos mesmos moldes adotados por Sandra. A agricultora alertou que o uso frequente de agrotóxicos nas lavouras causa doenças como alergia, depressão, câncer, problemas cardíacos e pulmonares. Eu tenho um irmão que tem problemas no coração, afirmou Sandra. Segundo ela, o consumidor corre os mesmos riscos. Por que há tanta gente que sofre de depressão hoje em dia?
Receber um prêmio internacional, diz Sandra, só aumento sua responsabilidade perante os outros colegas de profissão. É preciso fixar as famílias no campo e mostrar que a cidade, para onde eles vão buscar uma vida melhor por causa da falta de apoio, é uma ilusão.


