Lucinéia Parra
De Maringá
Agricultores de Malu, distrito de Terra Boa (46 quilômetros ao norte de Campo Mourão) estimam que a perda na safra de soja fique em 50% por causa da estiagem. Os agricultores estão desanimados com a lavoura que em boa parte não se desenvolveu completamente, deixando vazios nas áreas plantadas. A soja já está na fase de formação das vagens, mas a falta de chuva prejudicou o crescimento das lavouras.
O agricultor Adelino de Oliveira disse que a estiagem deste ano só não é pior (por enquanto) do que a que ocorreu em 1985. ‘‘Em 85 a seca foi pior, mas se não chover até a colheita acredito que os prejuízos vão se igualar’’, disse.
Oliveira tem 17 alqueires de soja plantada entre o dia 26 de outubro e 6 de novembro. ‘‘A chuva que cai é pouca. Segundo ele, se chover até março, os agricultores da região vão ter uma perda de 50%. ‘‘Agora se não chover a perda será muito maior’’.
Houve uma grande seca interrompida pela chuva de 30 de dezembro. ‘‘Depois não choveu mais’’, lamenta. As lavouras plantadas mais tarde estão melhores, mas mesmo assim, vão ter uma queda na produção de 30%.
Na região de Paranavaí a situação é a mesma. No início do plantio a chuva foi insuficiente, com forte onda de calor. ‘‘Quem arriscou acabou perdendo a semente ou no desenvolvimento da planta’’, diz o agrônomo Márcio Kloster, gerente de produção da Cocamar em Paranavaí.
As perdas se concentram na região de arenito, onde a soja está sendo introduzida para a reforma de pastagens. São cerca de 4 mil ha, com produtividade de até 2,4 mil kg/ ha. As perdas na soja, calcula Kloster, devem ficar em torno de 10%. O milho, que ocupa uma área menor que a soja, deve sofrer uma redução em torno de 20%. Na região de Maringá as perdas são localizadas. A maior parte dos produtores plantaram no seco, e o regime de chuva não está dentro de um padrão ‘‘normal’’.

mockup