Produtor vai trocar feijão pela soja
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terça-feira, 19 de agosto de 1997
Vânia Casado Curitiba 
EncolhendoSe depender das lavouras mecanizadas, plantio de feijão de cor será 20% menor na próxima safra O Paraná, neste início de safra de verão, vive situação paradoxa numa mesma cultura: enquanto o feijão preto tende a ganhar espaço estimulado pelos preços, o feijão de cor ameaça ceder espaço para a soja, porque os preços da última comercialização foram considerados baixos pelos produtores. A definição da área a ser ocupada com o plantio de feijão no Paraná está ocorrendo em função dos preços praticados no mercado na safra passada. Os preços do feijão preto aumentaram 24% do ano passado para cá e, em consequência disso, os produtores da região Centro-Sul do Estado estão expandindo a área. O mesmo não ocorre com o plantio de feijão de cor. Os preços caíram 21% e em função disso os produtores mais tecnificados que plantam feijão de cor na região de Francisco Beltrão, Guarapuava, Ponta Grossa e alguns municípios do Vale do Ivaí, estão migrando para o plantio de soja, cujas perspectivas de preço são melhores.
A estimativa da Secretaria da Agricultura é que este ano o plantio de feijão deverá aumentar em torno de 2%, devendo passar de 467 mil hectares plantados na safra 96/97 para 473 mil ha. Apesar desta variação, a área prevista continuará abaixo da média ocupada nos últimos 10 anos, que oscilou entre 560 mil e 590 mil ha. Nesse período, o auge do plantio foi verificado em 1987, quando a área atingiu 705 mil ha. Para a técnica da Secretaria da Agricultura, Margorete Demarchi, a tendência do plantio de feijão no Paraná é de queda na primeira safra, onde predominam os pequenos produtores que usam pouca tecnologia e de aumento da segunda e terceira safra, quando os produtores mais tecnificados investem na produção.
El Ni¤o A produção esperada para 1998 varia entre 420 mil a 460 mil toneladas se o clima transcorrer normalmente durante o desenvolvimento da cultura. Mas já existe uma preocupação em relação à esse desempenho. Isso porque a evolução do fenômeno climático El ninho prenuncia excesso de chuvas a partir do final desse mês, o que pode retardar o início do plantio e comprometer a produtividade da cultura, explicou o agrometeorologista do Deral Agenor Santa Rita. Outra preocupação é que o período de chuvas tende a se acentuar em dezembro e janeiro, quando está previsto o amadurecimento do fenômeno, ameaçando a colheita do produto e o plantio da segunda safra de feijão.
Tire a dúvida O feijão é um dos quatro produtos que serão analisados durante ciclo de palestras a ser realizado em Londrina, de 1º a 4 de setembro, no Parque Ney Braga. Especialistas vão discutir problemas da cultura e apresentar soluções. A promoção é da Fapeagro que pretende dar informações para o produtor decidir com segurança.


