Mariângela Herédia Agência Estado
Os produtores rurais já poderão contar com um seguro agrícola privado na próxima safra, para a comercialização antecipada da produção através de Cédula de Produto Rural (CPR). O novo sistema deve entrar em vigor no dia 1º de julho e foi apresentado ontem ao ministro da Agricultura, Francisco Turra, pelo diretor superintendente da Companhia Administradora de Negócios Agrícolas do Brasil (Finagro), Afonso Celso Bertucci. O ministro disse que o sistema será adotado com apoio do governo. ‘‘Este é o caminho que estamos buscando, de sairmos de uma dependência do crédito rural oficial e oferecer uma nova filosofia de planejamento da propriedade com a qualificação do produtor rural’’, disse o ministro ao apoiar a proposta apresentada pela Finagro que reúne seguradoras, universidades e empresas de extensão rural.
De acordo com Afonso Bertucci, a empresa vai iniciar as operações oferecendo seguro das lavouras de milho e soja no Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul e Minas Gerais e pretende fazer de 30 mil a 40 mil contratos na primeira etapa. O valor do seguro ficará entre 5,4% a 6,2% do valor da CPR, admitindo-se o comprometimento de, no máximo, 50% da produção esperada, e o algodão será o próximo produto a ser incluído nas operações de seguro. A CPR será emitida pela Finagro, que oferecerá ao agricultor um bônus no valor do título para ser resgatado ao final da safra com a entrega do produto.
O assessor especial da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Célio Porto, que coordena os trabalhos sobre seguro agrícola privado, disse que a proposta apresentada pela Finagro foi a mais completa apresentada até agora ao governo. O grupo reunido na Finagro trabalhou durante dois anos no projeto e uma das condições fixadas para o seguro é que o agricultor trabalhe dentro de padrões específicos, com o acompanhamento permanente de agrônomos. Os cálculos da Finagro são de que a implantação do seguro agrícola deverá abrir mercado para dois a três mil agrônomos que deverão fazer o acompanhamento das lavouras.

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