Produtor terá de carregar os estoques da próxima safra
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sexta-feira, 14 de novembro de 1997
Vânia Casado Curitiba 
ArquivoStefanello: indústrias vão comprar da mão para a bocaCom a elevação das taxas de juros, as indústrias de forma geral não vão mais trabalhar com estoques e para a próxima safra os produtores terão que arcar com os custos de armazenagem da produção. Atualmente elas já estão comprando da mão para a boca, conforme jargão do mercado e a tendência é manter essa situação enquanto persistir a alta dos juros. No caso do milho, o analista da agência Safras e Mercados, Paulo Molinari, acredita que as granjas médias e pequenas vão deixar os frangos passarem fome para entrar no mercado comprando o produto.
Para o superintendente da Conab/PR, Eugênio Stefanello, os produtos mais prejudicados com a necessidade de estoques serão os de consumo no mercado interno como milho, feijão, arroz, algodão e mandioca. Ele garantiu que a Conab vai entrar no mercado garantindo o preço mínimo se o preço desses produtos cair muito em função da falta de compradores durante a comercialização.
Stefanello prevê que vai haver um retardamento na comercialização e o produtor terá que carregar os estoques, já que as vendas serão realizadas à medida da necessidade das indústrias. Isso certamente vai implicar na elevação dos custos de produção, mas por outro lado também poderá ser benéfica já que o produtor poderá comercializar sua produção mais lentamente e usufruir de bons momentos em que o mercado se torna comprador durante o ano. Stefanello reconhece que quem precisar de dinheiro rapidamente vai se desfazer da produção a custos inferiores ao mínimo.
Por outro lado, Stefanello tranquilizou os produtores afirmando que o orçamento do governo federal para a agricultura não foi atingido pelo corte de gastos. E ele tem a garantia que a entidade vai entrar no mercado comprando o produto como fez esse ano, quando comprou 6 milhões de toneladas de milho no mercado. Segundo Stefanello, a Conab vai ter recursos em 98 para compra de safra. Ele acredita que pelo menos R$ 2 bilhões, o mesmo volume aplicado para a comercialização da safra passada, estão garantidos em orçamento.
Mecanismos da Conab Segundo Stefanello, a Conab vai recorrer aos tradicionais mecanismos de comercialização como AGF e EGF para compras programadas. Também vai recorrer aos PEPs (Prêmio de Escoamento de Produto) e aos contratos de opção de venda para garantir o preço mínimo ao produtor. Todos esses mecanismos só serão acionados quando o mercado não pagar o preço mínimo dos produtos consumidos no mercado interno, reiterou.
Essa disposição do governo federal em socorrer o setor agrícola no apoio à estocagem de produtos revela que a agricultura é um dos setores que está protegido no pacote fiscal, disse Stefanello. Ele reconhece que essa proteção é parcial ao afirmar que 40% dos produtores serão mais penalizados com a alta de juros porque têm financiamentos vinculados à TR (juros de mercado) e à TJLP (via BNDES). Quem tem financiamentos em TR sentirá o peso da alta de juros a partir desse mês e quem fez investimentos via BNDES sentirá o encargo a partir de janeiro, explicou. Os outros 60%, que constituem a maioria dos produtores, fizeram o financiamento de custeio com recursos do crédito rural, portanto, a juros prefixados em 9,5% e 6,5%, ao ano, afirmou. (Veja mais na página 6)


