Produtor tem que buscar eficiência, alerta Senar
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quarta-feira, 08 de outubro de 1997
Luiz Carlos Rizzo Especial para a Folha 
ArquivoQualificaçãoVolpi: Falta qualificação da mão-de-obra. Senar pode resolver o problemaPor culpa da baixa produtividade, o produtor de leite não consegue alcançar uma renda média mensal superior a R$ 99,00, valor insuficiente para manter-se na atividade. Enquanto isso, no mesmo período, com igual plantel e capital investido, o produtor argentino fatura R$ 1.350,00 e o norte-americano R$ 1.620,00.
Ao apresentar dados comparativos ontem, em Paranavaí, durante Seminário Regional de Qualidade do Leite - Fator de Sobrevivência, o superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-PR), Ronei Volpi, lançou o desafio: se os produtores de leite não se adequarem à nova realidade de competição interna e externa, não terão as mínimas condições de continuar neste segmento. É preciso produzir em escala e com qualidade.
O faturamento mensal do produtor de leite brasileiro, segundo Volpi, explica-se através de números. A média anual de produção alcança no máximo 900 litros contra 3.500 da Argentina; 2.580, do Uruguai; 2.400, do Chile, e 1.850 do Paraguai.
Apesar disso, proporcionalmente, o produtor brasileiro é o tem melhor remuneração (em valor pago por litro) no Mercosul (US$ 0,25). O argentino recebe US$ 0,19; o uruguaio, R$ 0,17; o Paraguaio, US$ 0,23 e o chileno US$ 0,23 por litro. O consumo brasileiro, em contrapartida, também é modesto: 125 litros per capita/ano, comparado com o consumo da Argentina (190 litros/ano), com o Uruguai (233 litros/ano) e Chile (135 litros/ano). O consumo do Paraguai é bem menor que o brasileiro: 56 litros per capita/ano.
A produtividade média diária por propriedade no País é de apenas 60 litros contra 1.000 da Argentina e 1.800 litros dos Estados Unidos. Enquanto o produtor brasileiro ganha, por litro, R$ 0,05, o argentino contenta-se com R$ 0,04 e o norte-americano com R$ 0,03.
Volpi considera fundamental a profissionalização. Lembra que o Senar mantém cursos de curta e longa duração para treinamento da mão-de-obra. O participante frequenta aulas durante 30 dias, com prioridade à parte prática.


