Josoé de CarvalhoBenedito Espírito Santo: ‘‘Produtor precisa de se gerenciar para aumentar seus resultados’’Os produtores que não se profissionalizarem não vão sobreviver à nova realidade que começa a se desenhar no Brasil, com abertura de mercado e a diminuição da intervenção estatal no setor. A afirmação foi feita ontem pelo diretor de Economia Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa do Espírito Santo, que fez palestra sobre ‘‘Perspectivas da Agricultura Brasileira’’, na 37ª Exposição Agropecuária e Indústrial de Londrina.
Segundo Santo, as mudanças provocadas pela abertura do mercado e pela estabilidade provocado pelo Plano Real, implicou em mudanças nas regras para a produção e comercialização dos produtos agrícolas. ‘‘Antes o agricultor produzia sob a proteção do Estado no que diz respeito aos preços e às importações, agora o produtor terá de enfrentar uma competição mais acirrada, e só os competentes permanecerão no mercado’’, diz.
No entanto ele reconhece que para isso, os produtores brasileiros precisam ter condições semelhantes às dos países concorrentes. ‘‘Mas infelizmente nem todas as condições foram atendidas, principalmente aquelas relacionadas ao Custo Brasil’’, comenta. Ele aponta com principais fatores de encarecimento da produção agrícola os custos do tranporte, a carga tributária, os serviços portuários, as taxas de juros e os preços dos fertilizantes e defensivos, que chegam a custar 30% mais caro no Brasil.
O diretor de Economia Agrícola do Ministério da Agricultura diz que o Governo Federal vem fazendo sua parte para tentar minimizar as diferenças com os países concorrentes, através dos programas de privatizações e com a redução da inflação. ‘‘Mas o produtor precisa produzir com mais eficiência, porque não é só um problema de custos de produção, mas também de falta de gerenciamento da atividade’’, afirma.
Desafios Santo afirma que o governo brasileiro tem dois desafios para alavancar a agricultura. O primeiro é a criação de linhas de crédito que proporcione ganhos com a produção.
Outro desafio, segundo o diretor de Economia Agrícola do Mara, é a criação de um seguro rural que cubra os risco que o sistema atual impõe, com a abertura de mercado. ‘‘Com a diminuição da intervenção do Estado no setor produtivo, os produtores estão mais expostos à concorrência’’, observa. Segundo ele, este seguro seria nos moldes de um seguro normal, que seria controlado pelo setor privado, com intervenções do Estado.

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