Produtor quer fugir do supermercado
Vânia Casado
De Curitiba
Os produtores de olerícolas da Região Metropolitana de Curitiba estão se organizando para vender a produção diretamente às empresas de refeições coletivas. O objetivo é criar alternativas de mercado para evitar a concentração de vendas para os supermercados da capital que estão derrubando os preços das olerícolas.
A Risotolândia, que fornece 120 mil refeições por dia é uma das empresas que estão se cadastrando junto à Secretaria da Agricultura de São José dos Pinhais para comprar verduras e legumes diretamente dos produtores.
Os produtores de hortigranjeiros estão insatisfeitos com os supermercados porque estão vendendo a produção abaixo do custo. Eles estiveram denunciando essa prática na Assembléia Legislativa e pedindo providências aos parlamentares. Afirmam que os supermercados além de pagar abaixo do custo de produção exigem a entrega de uma ou duas cargas de produtos por mês de graça para ajudar a bancar as promoções semanais que são feitas nas lojas.
A venda direta garante um ganho de 5% a 10% para as empresas consumidoras com a eliminação de intermediários, calcula Joel Rene Freire, diretor da Secretaria da Agricultura de São José dos Pinhais. Só a Risotolândia calcula uma margem de ganho de 7% na compra dos produtos, com a eliminação dos intermediários.
Para os produtores, o ganho é maior ainda com a eliminação de transporte de mercadorias, taxas de entrega e comercialização na Central Atacadista da Ceasa e com a garantia de venda. Atualmente os produtores estão tendo prejuízo em levar sua produção para a Ceasa, porque estão retornando com até 50% da mercadoria sem vender, afirma.
Para se ter uma idéia, dos 3.300 produtores com cadastro da Ceasa, só 1.800 estão vendendo sua produção na central atacadista porque não estão conseguindo uma remuneração de acordo com os custos de produção, que são muito altos. Com isso, muitos agricultores já pensam em desistir da atividade.
Para Freire, a queda nos preços dos hortigranjeiros é resultado da falta de zoneamento agrícola para organização da produção. Antes era só a produção da região metropolitana de Curitiba que abastecia o varejo da capital. Agora com a produção de outros municípios, aumenta a oferta e os produtores aqui que são vizinhos ficam sem mercado para colocar seus produtos, reclama. Para evitar o excesso de produção e a derrubada nos preços, Freire lembra que precisaria haver uma organização da produção e promover uma venda casada entre produção e consumidor, exatamente o que estão tentando fazer em São José dos Pinhais, destacou.
São José dos Pinhais se destaca como o maior produtor de verduras e legumes. Das 2.500 propriedades rurais do município, 1.500 são produtores de hortaliças. O técnico da Emater, Paulo Luciano da Silva, responsável pelo trabalho de organização do produtor disse que ainda está fazendo um levantamento da demanda das indústrias que podem ser consumidoras dos produtos hortigranjeiros. Ele lembrou que a produção pode ser direcionada tanto para as empresas de refeições coletivas como para as grandes indústrias que estão se instalando na região de Curitiba e que fornecem alimentação para seus funcionários. O trabalho da Emater é orientar o produtor para que produzam conforme às necessidades das indústrias, para garantir a venda.





