Produtor quer cortar gastos e prorrogar as dívidas
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quinta-feira, 02 de fevereiro de 2006
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Rolândia É com pessimismo que os agricultores conduzem a safra de verão. Sem saber como será a comercialização da soja que está prestes a ser colhida, os produtores já fazem planos de acionar seguros agrícolas e prorrogar as dívidas de custeio. O câmbio é a derrota da agricultura, segundo eles.
O produtor Osvaldo Aparecido Balestri perdeu parte da lavoura arrendada em Centenário do Sul (91 km ao norte de Londrina) em função da seca. Nos 15 alqueires plantados com soja, ele espera colher pelo menos 40 sacas/alqueire, como no ano passado. ''Não vai dar nem para pagar o custo'', calculou. Já nos 30 alqueires cultivados em Primeiro de Maio (61 km ao norte de Londrina), a seca não afetou a produção, mas o câmbio desfavorável irá comprometer o lucro. ''Espero colher entre 100 e 130 sacas/alqueire, o suficiente para empatar com o custo de produção'', apontou.
De acordo com Balestri, o custo dos insumos teve redução insignificante em relação a 2004. Para o agricultor Geraldo Lonardoni, de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), isto se deve ao aumento do número de aplicações preventivas de fungicida contra a ferrugem. ''A agricultura está falida'', lamentou o produtor.
Lonardoni cultiva 110 alqueires de soja e 18 alqueires de milho em parceria com os filhos. Desanimado, ele garante que está vivendo o pior momento de toda a sua vida. ''Em 30 anos fazendo negócios com o banco, nunca deixei de pagar uma conta. Hoje, preciso prorrogar as dívidas para colocar comida na mesa'', disse.
Umberto Lonardoni, irmão do produtor, buscou na diversificação uma saída para a crise. Há três anos ele iniciou o cultivo de uvas e desde o ano passado fornece toda a produção para a Corol Cooperativa Agroindustrial, de Rolândia. Na propriedade de 2,5 alqueires metade é cultivada com uva e o restante com milho. ''A idéia é transformar tudo em uva'', contou.
O produtor investiu cerca de R$ 6 mil na implantação das parreiras. Os recursos, ressaltou, foram obtidos por meio do programa Paraná 12 Meses, a fundo perdido. ''A vantagem é que não gasto com mão-de-obra, já que toco a produção sozinho'', alertou. A comercialização, segundo ele, é garantida pela cooperativa, que paga o preço mínimo praticado pelo mercado gaúcho.


