A grande estiagem registrada este ano no Norte do Estado deve contribuir para a quebra da safra de café, que está em plena colheita, na opinião do diretor do Conselho Nacional de Café (CNC), Wilson Baggio, que é também presidente da Comissão Técnica de Café da Federação da Agricultura do Paraná (Faep) e membro do Conselho Deliberativo da Política Cafeeira. Baggio salienta que o café que está sendo colhido no Estado está miúdo e chocho e com renda baixa.
Sem falar em percentuais, ele diz que quando a safra é boa, o café é graúdo. ''Uma saca boa de café em coco de 40,5 quilos rende 22 quilos de café beneficiado. Hoje, uma saca de café em coco está rendendo 17 ou 18 quilos. Está muito inferior. Será preciso mais de quatro sacas para termos uma saca de 60 quilos de café beneficiado'', compara Baggio, complementando:''Isto significa que o Paraná terá uma grande quebra. A Embrapa estimou no mês passado que o Brasil irá colher 32,5 milhões de sacas, não acredito que chegará a isso''.
O Paraná que já foi o responsável por 25% da produção de café no mundo deve colher este ano 1,425 milhão de sacas. ''É uma pena, porque o Paraná, na década de 60, esteve no auge. Colhia naquela época 22 milhões de sacas, isso representava metada da produção do Brasil, que era de 44 milhões de sacas'', observa o produtor.
Outro obstáculo que o produtor enfrenta, diz ele, é com relação aos preços menores e prazo de seis meses praticados pelo governo ao vender os cafés dos estoques. ''Isso é concorrência. Se as torrefações podem comprar do governo com prazo, porque vão comprar de nós produtores?'', ressalta.

mockup