O mercado espera para amanhã a publicação no Diário Oficial da União da autorização do plantio da soja transgênica Roundup Ready (RR), por meio de Medida Provisória. Ninguém fala abertamente sobre a questão, mas comenta-se que o texto original, que autorizava a semeadura apenas no Rio Grande do Sul, sofreu alterações ontem estendendo a permissão para todo o território nacional.
Mesmo que isso ocorra, o agricultor não deve esperar que os benefícios com a redução de custos por causa do uso da tecnologia possam ser desfrutados imediatamente. Segundo Alexandre Cattelan, pesquisador e chefe de comunicação e negócio da Embrapa Soja, em Londrina, não há praticamente semente legal no mercado, uma vez que a multiplicação comercial está proibida. Por isso a previsão é que o material em escala para atender a demanda só estará disponível daqui a três safras. O pesquisador acredita que, no início, devido ao desequilíbrio entre oferta e demanda, a semente da soja modificada geneticamente será cara, sem levar em consideração os royalties que serão cobrados dos agricultores pelo uso da tecnologia.
O produtor também deve ficar atento para a rotação entre as variedades para evitar resistência de ervas daninhas ao glifosato, o princípio ativo do herbicida da multinacional Monsanto, a dona da tecnologia. Por isso, o agricultor deverá plantar em um ano a transgênica e no período seguinte a convencional, possibilitando a utilização de herbicidas diferentes. Cattelan diz que já há relatos de resistência ao produto no Rio Grande do Sul e na Argentina.

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