O produtor brasileiro de soja consegue bons níveis de produtividade. No entanto, perde muito na hora de comercializar por não conhecer os mecanismos que o mercado futuro lhe oferece. Segundo o economista sênior da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), Antônio José Telles Bueno, a comercialização agrícola no Brasil é ineficiente porque há uma grande concentração dos negócios durante a colheita, e o número de compradores é limitado. Bueno fez palestra ontem no Congresso Brasileiro de Soja, em Londrina.
‘‘Há dez grandes compradores e apenas cinco controlam 75% do total de compras líquidas de soja em grão. Enquanto o mercado vendedor é formado por milhares de produtores’’, compara. A concentração da demanda provoca prejuízos ao produtor que não dispõe de conhecimentos para transferir os riscos de perdas de preço do grão.
Segundo o economista, os mecanismos de transferência de riscos no ‘‘balcão’’ são inadequados, uma vez que no mercado doméstico os preços são determinados pelos compradores que estipulam diariamente os ‘‘preços a fixar no balcão’’.
‘‘Estes preços são determinados unilateralmente, sem negociação, o que não é bom para o produtor’’, afirmou. Essa deficiência na comercialização, segundo o economista, poderá ser sanada mediante uso de contratos com cláusula de ‘‘preço a fixar em bolsa’’. ‘‘A diferença entre o preço de balcão e o preço do mercado livre, calculado pela Esalq/USP chega a US$ 1,5 por saca’’, comentou.
Telles Bueno explicou que com a valorização do real está provocando uma grande corrida dos produtores e exportadores que querem vender o máximo da safra até setembro, quando o mercado internacional pode sofrer uma queda com a entrada da safra de soja dos Estados Unidos, que é o maior produtor do grão.
Com isso o mercado interno terá menos soja disponível no segundo semestre, o que poderá provocar a valorização do produto. ‘‘Mas para o produtor carregar a soja para o segundo semestre existem riscos que podem ser evitados com o travamento do preço futuro sinalizado pela bolsa’’, comentou. Por isso ele considera que o produtor deve ficar atento ao comportamento do mercado futuro, acompanhar o ‘‘mercado climático’’ que se forma em torno da safra dos Estados Unidos, para saber o melhor momento de fazer o travamento dos preços em bolsa.
Programa de hoje O crescimento da cultura da soja no Brasil está ligado diretamente à viabilização de novas formas de escoar a produção até os portos. O assunto será tratado na palestra ‘‘Novas fronteiras de produção e o intermodal de transporte’’ e ‘‘Experiência da Companhia do Vale do Rio Doce nas novas fronteiras de produção e o intermodal de transporte’’.
Outro destaque da programação de hoje no Congresso de Soja é a Sessão Técnica de Biotecnologia, que vai abordar a questão do cultivo de plantas transgênicas. ‘‘Questões Polêmicas em biotecnologia: aspectos legais, comerciais e ambientais’’ é o tema do debate que vai confrontar posições contrárias sobre o cultivo de transgênicos. De um lado falará o presidente da CTNBio, órgão que autorizou o cultivo destas plantas, Luiz Antonio Barreto de Castro, e do outro lado, o pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas, Carlos Jorge Rosseto. A sessão terá início às 10h30, com palestra do pesquisador da Iwoa State University, dos Estados Unidos, Patrick Schnable. À tarde, a partir das 17 horas, o pesquisador Reinaldo Ramon Muáoz falará sobre ‘‘A soja transgênica na Argentina: situação atual , perspectivas e custos comparativos’’.
A utilização da soja como biodíesel também será apresentada amanhã no Congresso na Sessão técnica do Impacto Ambiental na Utilização de Soja em Motores que começa às 10h30.

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