Vânia Casado

ArquivoSafrinha providencialMercado precisa da safrinha mas leilão desestimula plantio Cooperativas e produtores de milho estão pedindo a suspensão dos leilões semanais que a Conab vem realizando para evitar alta de preços. Com a entrada da safra nova no mercado, os preços já estão se ajustando e não têm mais sentido a realização dos leilões. O preço do milho que já atingiu até a R$ 8,00/saca (no atacado) no auge da entressafra, caiu para R$ 7,50/saca. A redução de 6,7% ocorreu no Oeste e Sudoeste, onde a safra nova está entrando no mercado. O presidente da Associação Paranaense de Avicultores, Laércio Cardoso, é contra a medida. Segundo ele, se os leilões forem suspensos agora, só os intermediários serão beneficiados.
Cerca de 400.000 t de milho no Paraná (5% da safra normal) já estão entrando no mercado, pressionando a oferta. Portanto, não há necessidade da manutenção dos leilões porque nesse caso o governo estaria concorrendo com os produtores, afirmou Flávio Turra, da Ocepar. A preocupação das cooperativas é que o preço do milho caia muito no mercado a ponto de desestimular o plantio da safrinha. Há uma expectativa de aumento de 8% na área plantada com a safrinha, mas se os preços caírem muito, os produtores podem desistir da iniciativa, teme Flávio Turra.
Na avaliação da Apavi, a venda de milho pela Conab deveria ser suspensa somente no final de março ou começo de abril, período que ele prevê para um ajuste no mercado. Segundo Turra, Cardoso deve ter tomado como referência a praça de Curitiba, onde os preços realmente estão altos. Mas a maioria das granjas está localizada no Oeste e Sudoeste, onde o preço do milho já está em queda, justificou.
Os leilões de milho com venda em balcão realizados semanalmente pela Conab foram implantados para evitar uma explosão no preço do produto aos pequenos usuários, como avicultores, suinocultores e pequenas indústrias.
Os leilões limitam a compra a 30 t/mês. Para o pequeno granjeiro dá para 5 ou 6 dias de consumo, calculou Laércio Cardoso, da Apavi. O leilão de janeiro vendeu 22.000 t pelo preço médio de R$ 7,20 a saca. O leilão de ontem teve preço médio final de R$ 7,025/saca (ver coluna de mercado). Segundo o assessor da Conab, Edmundo Knaut, durante o mês de janeiro desse ano foram vendidas 30.000 t de milho que estavam em AGF nos estoques do Paraná, ao preço médio de R$ 7,40/saca.
A Conab concorda que é hora de sair do mercado, inclusive porque os estoques serão necessários a partir de outubro, quando o abastecimento poderá ficar apertado, avaliou Knaut. O consumo nacional está estimado em 38 milhões de t e a estimativa de produção para este ano, incluindo safra normal, safrinha mais o estoque de passagem deve empatar com o consumo.

mockup