Produtor norte-americano procura novos mercados
Produtor norte-americano procura novos mercados
Com a queda do preço das commodities no mercado internacional, o valor das exportações dos Estados Unidos caiu de US$ 60 bilhões em 1996, para US$ 49 bilhões esse ano. Só com a retração econômica nos países asiáticos, os Estados Unidos deixaram de exportar o equivalente a US$ 10 bilhões nos últimos dois anos. Enquanto, os principais mercados consumidores se retraiam, ocorreu uma oferta recorde de grãos e a perspectiva é de preços baixos para os próximos dois a três anos, disse o professor Martin Marshall, da Universidade de Purdue.
Para reverter esse quadro, a solução apontada é o aumento do consumo nos países subdesenvolvidos. Em função disso, produtores norte-americanos, através de suas entidades de representação, estão pressionando o governo norte-americano a fomentar políticas de socorro aos países pobres. O alvo é exportar para os países da Ásia, América Latina e México. Os produtores estão conscientes que a expansão da demanda por alimentos nos Estados Unidos é impossível. Ela cresce num rítmo de 1% ao ano, acompanhando apenas o crescimento da população.
Segundo Marshall, o governo norte-americano deverá intensificar o apoio, via Banco Mundial, para reforçar os sistemas bancários dos países pobres que não expiram confiança para incrementar os investimentos. Isso porque somente a estabilidade econômica permite o retorno dos investimentos e com isso o aumento da demanda, explicou. Marshall disse que o Brasil não está nos planos dos produtores dos EUA para ampliar mercado, porque eles sabem que o país tem condições de aumentar a produção. Inclusive temem esse avanço, admitiu.
Marshall lamentou que a agricultura brasileira ainda dependa de tecnologia das multinacionais para se desenvolver. Ele lembrou que seria essencial os investimentos em pesquisa local, para que os institutos e a universidade brasileira pudessem gerar tecnologia adaptada às condições de clima e solo nacionais, que não são iguais a de outros países.
O potencial de crescimento da área propícia à produção de grãos no país é de de 127 milhões de ha, já descontada a área que não pode ser agricultável por ser de preservação. Somente o cerrado brasileiro tem 204 milhões de ha, sendo que somente 47 milhões de ha estão ocupados hoje. Desse total, 35 milhões de ha estão ocupados com pastagens, dois milhões de ha com culturas perenes e 10 milhões de ha com culturas anuais.





