O produtor de hortigranjeiros da região metropolitana de Curitiba não tem margem de lucro suficiente para arcar com o aumento de custos em decorrência das exigências que os supermercados Big e Mercadorama estão impondo aos fornecedores. Para o assessor econômico do setor de hortifrutigranjeiros da Emater, Fukuo Morimoto, ou o produtor terá que aumentar em 15% o valor dos produtores entregues nos supermercados, ou vai perder mais 15%, agravando ainda mais a descapitalização do setor.
Segundo Morimoto, os produtores estão trabalhando com prejuízo em alguns produtos e com margem de lucro muito baixa em outros. A Emater fez um levantamento sobre os custos variáveis de produção de alguns produtos e concluiu que na maioria dos produtos os agricultores estão trabalhando com defasagem. É o caso da batata-salsa, cujo custo de produção está avaliado em R$ 0,37 o quilo e o valor de venda é de R$ 0,30 o quilo. A beterraba que custa R$ 0,25 o quilo para ser produzida está sendo vendida por R$ 0,16.
Outros produtos estão com rentabilidade positiva, em relação aos custos variáveis, como o alho onde o custo de produção está avaliado em R$ 1,00 o quilo e o valor de venda é de R$ 1,25 o quilo. A couve-flor custa R$ 0,11 o quilo para ser produzida e vendida por R$ 0,19 o quilo. O custo variável, no entanto, não é garantia de pagamento de todas as despesas. Morimoto citou como exemplo que neste levantamento não estão computados os custos com o transporte, avaliado em 10% aproximadamente, que constitui um valor importante a ser desembolsado.
Para Morimoto, como os produtores de hortigranjeiros vendem em grandes quantidades, a margem de rentabilidade permite o pagamento de taxas menores como são cobrados pelos demais supermercados, que variam de 3% a 5%.

mockup