O produtor de trigo deve esperar para vender o produto a partir da primeira quinzena de setembro, quando o governo federal deverá intervir no mercado com os leilões do Prêmio de Escoamento do Produto (PEP), para garantir o pagamento do preço mínimo. A recomendação é do superintendente da Conab-PR, Lafaiete Jacomel, ao admitir que os negócios com o produto estão totalmente paralisados.
Segundo a Conab, o governo já destinou R$ 52 milhões para o PEP. Esses recursos dariam para comprar cerca de 1,9 milhão de toneladas, se o prêmio pago variar entre R$ 10,00 e R$ 20,00 a tonelada, calculou Flávio Turra, da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). Jacomel alertou que a tendência do mercado é de queda ainda maior nos preços, em função da concentração da oferta do produto.
ArquivoO jeito é esperarSe vender o cereal agora, produtor não consegue nem o preço mínimo, segundo a ConabAté meados de setembro deverão estar colhidos entre 30% e 40% da safra paranaense, que pode chegar a 2 milhões de toneladas na avaliação de produtores e cooperativas. Se o produtor vender o produto agora, os moinhos estão oferecendo no máximo R$ 147,00 a tonelada, inferior ao preço mínimo fixado de R$ 157,00 a tonelada.
Encontro de Maringá A implantação do PEP foi reivindicada por produtores e cooperativas em reunião realizada em Maringá, na semana passada. Este ano, a medida está sendo antecipada para evitar que os preços caiam mais ainda no mercado. Na safra de 1996, o PEP foi instalado no mês de novembro e, na safra do ano passado, o instrumeto de comercialização foi adotado em janeiro de 1998. Durante a reunião de Maringá, os produtores reivindicavam a retomada imediata dos leilões, mas aceitaram a proposta de esperar até o início de setembro.
Após a reunião de Maringá, a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura realiza outra reunião com produtores de trigo do Rio Grande do Sul, no dia 20, e com os moageiros em São Paulo, no dia 21. Depois dessa rodada de negócios, vai divulgar o cronograma dos leilões.
AGF para o algodão
Além do trigo, o algodão produzido nos estados do Mato Grosso e Goiás também é motivo de preocupação do ministério da Agricultura, cujos preços estão caindo no mercado. Para evitar prejuízos aos produtores, a Conab liberou R$ 5 milhões para AGF (Aquisição do Governo Federal), para enxugar o produto do mercado.

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