Produtor gasta R$ 400 mi para transportar safra
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de agosto de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O produtor paranaense está gastando este ano R$ 400 milhões para levar 70% da safra até o Porto de Paranaguá pelas rodovias do Estado. A projeção calculada pela Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) e Federação da Agricultura do Paraná (Faep) leva em conta os gastos com o frete rodoviário, da ordem de R$ 341 milhões para transportar a safra, mais R$ 59 milhões correspondentes ao custo com o pedágio, que já embute a redução nas tarifas de alguns trechos.
O conjunto desses custos no transporte da safra representa 6% em relação à receita esperada de R$ 6,7 bilhões com a exportação de 12,54 milhões de toneladas de soja em grão, farelo e milho, que deve ser concretizada até o final do ano. ''A manutenção desses custos em patamar alto está tirando a competitividade das exportações brasileiras e paranaenses'', afirmou Robson Mafioletti, assessor econômico da Ocepar.
De acordo com Mafioletti, o setor do agronegócio vai reivindicar um regime de tarifas diferenciado que leva em conta o valor da carga transportada, que é inferior na comparação com o transporte de cargas industrializadas. Para a Ocepar, o setor produtivo não pode arcar sozinho com os altos custos do frete rodoviário e do pedágio. O estudo da entidade revela que enquanto o impacto do custo do pedágio sobre o transporte de produtos industrializados (automóveis, televisões e geladeiras) representa 0,5% do valor da carga, o mesmo custo representa 1,5% do valor de um caminhão de soja e de 4,10% sobre um caminhão carregado de milho.
A preocupação é com a perda ainda maior na competitividade da soja no ano que vem. Os indicadores econômicos apontam para o plantio de uma safra recorde no Brasil e Argentina e ainda nas boas perspectivas de colheita da safra norte-americana. Com isso, a tendência será de queda nos preços do grão. ''Aí, o produtor vai sentir na carne o impacto dos gargalos de infra-estrutura'', avisou Mafioletti. Segundo o técnico, é quando o preço da commodity cai no mercado externo que o produtor sente a deficiência nos serviços de portos, rodovias e ferrovias.
Para agravar a situação do agronegócio, a soja já teve uma perda de R$ 20,00 por saca desde o mês de março deste ano, quando o grão atingiu seu melhor preço desde 2000. A saca de soja foi negociada a R$ 55,00 em março e ontem estava sendo negociada entre R$ 35,00 e R$ 36,00 a saca. Contratos fechados este mês para entrega em março do ano que vem, apontam para cotações mais baixas ainda. As negociações sinalizam que o produtor deve receber em torno de R$ 30,00 a saca. A redução no preço da commodity vai evidenciar os elevados custos de transporte, reforçou Mafioletti.


