O produtor rural Ahmad Chkib Abdul Hamid, de Uraí (26 km a oeste de Cornélio Procópio), diz que toda a sua plantação de trigo foi atingida pela brusone. ''A lavoura toda está com má qualidade, vou perder tudo porque a produção vai ter que ir para ração'', afirma. Nesta safra ele plantou 50 alqueires de trigo e diz que a brusone infectou praticamente todas as lavouras do município. ''Os cachos não têm grãos'', diz. O pior, segundo Abdul Hamid, é que ele diz ter contratado seguro rural, que já informou que não vai cobrir os prejuízos provocados pela doença.
''Já estou devendo para o banco e para a cooperativa. Pagamos caro (pelo seguro) e a resposta é negativa'', comenta Abdul Hamid. Carlos Roberto Furlan, proprietário de uma revenda de insumos agropecuários de Sertaneja (63 km ao norte de Cornélio Procópio), acredita que a incidência da brusone neste ano é a pior das últimas safras. ''Em 2008 a ocorrência foi mais localizada, agora, cresceu entre 250% e 300%'', afirma. Procurado pela reportagem, o gerente financeiro da Cooperativa Integrada, Haroldo José Polizel, explica que o seguro só cobre prejuízos provocados por eventos climáticos, como geadas, secas, granizos ou ventos fortes.
''Nenhum seguro oferece cobertura contra doenças. Em geral, as seguradoras cobrem quantidade, não qualidade'', explica Polizel. Ele também acrescenta que a cooperativa não comercializa nenhum tipo de seguro e que a contratação é uma escolha do produtor. (F.M.)

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